Date: 15 Mai 2019

Tal como ocorreu durante a semana passada, ontem o sentimento em Wall Street foi dominado pelo tema da guerra comercial, desta feita não por anúncios concretos, mas pela retórica. Com efeito, depois de um dia de muito vermelho nos índices norte-americanos, que lhes valeu a pior performance desde os primeiros dias do ano, Trump achou por bem colocar água na fervura ao afirmar que o conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo, que ameaça empurrar várias economias para a contracção, não passa afinal de uma “pequena quezília” e que o “dialogo continua”, indicações que foram de alguma forma corroboradas por um porta voz do ministro dos negócios estrangeiros chinês, ao afirmar que é do seu entendimento que ambos os países acordaram em continuar a “desenvolver negociações relevantes”.

O certo é que a “brincadeira” dos tweets e das declarações de Trump e ajudantes, umas de cariz optimista e outras em sentido inverso, têm feito disparar a volatilidade, proporcionado um ziguezague milionário bom para os negócios de curto prazo, com os mercados mundiais a perderem valor num dia, só para o reganhar no todo ou em parte do dia seguinte. Nos índices os ganhos variaram entre os 1,14% no Nasdaq e os 0,8% de valorização no S&P500, com realce para o segmento das small caps que estiverem com um comportamento melhor que os restantes e que levou o Russell 2000 a subir 1.32%. Já nos sectores as tecnológicas e materiais foram as que mais beneficiaram da pressão compradora, visto que são igualmente os mais sensíveis às questões comerciais, enquanto que as utilities registaram a única desvalorização do dia, com uma perda de -0.87%.

Destaque para o volume abaixo da média habitual dos 7 biliões de negócios, bem como para a perda de fulgor dos Bulls na fase final da sessão, dados que retiraram algum brilho ao optimismo. No mercado cambial os movimentos mais pronunciados foram os 0,2% de ganho no U.S dólar, contra um cabaz de outras moedas principais, e a queda de -0.3% no valor do Yen, devido à redução de activos refúgio no portefólio dos investidores. Hoje é dia de dados económicos relativos à produção industrial na China e nos EUA, bem como das vendas a retalho por terras do tio Sam, contudo o ruído à volta da guerra comercial poderá se sobrepor caso existam novidades.

O gráfico de hoje é do CTT, o time-frame é Diário

A cotação da empresa nacional encontrou, como era previsível, suporte na linha inferior do canal a azul

Marco Silva