Date: 09 Mai 2019

Conforme tem sido habitual na novela da guerra comercial entre os EUA e a China, ontem foi dia de mais um volte-face no sentimento e nas perspectivas em relação a um possível acordo, depois da Casa Branca através da sua porta-voz, Sarah Sanders, ter indicado que a administração de Trump recebeu indicações de Pequim sobre a intenção da China em atingir um entendimento, que coloque um ponto final no conflito comercial que opõe as duas principais economias e que pode condicionar ainda mais as perspectivas já de si menos optimistas, para o crescimento económico mundial para este ano, podendo mesmo retirar 1,5% ao progresso no PIB chinês de 2019, que recordo está estimado atingir os 6%, o valor mais baixo das últimas duas décadas.

Mas se esta retórica típica de apaziguamento conseguiu evitar uma sessão inteiramente pessimista, também é verdade que a confiança sobre os benefícios da chegada do vice-premier chinês hoje a Washington não foi muito forte, sendo mais provável que as tarifas referidas por Trump entrem mesmo em vigor, o que deverá despoletar a já anunciada resposta por parte da China. Isto porque segundo uma notícia da Reuters o país asiático enviou sexta-feira passada uma versão de 150 páginas do rascunho que resumia os entendimentos alcançados até à data entre as duas partes, só que cheio de rasuras, o que levou Trump e o responsável principal pelas negociações a referir que a China tinha renunciado a boa parte dos compromissos que tinha assumido nestes cinco meses de reuniões.

Ao contrário da sessão de terça-feira onde a recta final foi palco de uma recuperação, ontem os últimos minutos serviram para deixar os índices muito perto do ponto de partida, com o S&P500 e Nasdaq a registarem perdas de -0.16% e -0.26% respectivamente, ao passo que o Dow Jones fugiu marginalmente ao vermelho com um ganho de 0.01%, não obstante a queda nos títulos da Intel, depois da maior fabricante mundial de processadores ter anunciado um futuro a três anos pouco optimista, com crescimentos de um digito apenas, o que contagiou igualmente boa parte do sector tecnológico. No mercado cambial nada de muito relevante, o U.S dólar e o Yen voltaram a valorizar enquanto que a Libra inglesa primou de novo por um recuo no seu valor, desta feita -0,5% para os $1.3008.

Na ausência de indicadores sobre um apaziguamento real da retórica iniciada por Trump no Domingo e com a perspectiva da entrada em vigor das novas tarifas amanhã, é de prever que o nervosismo e alguma procura por segurança possa começar a ser mais evidente no final da sessão de quinta-feira, com agravamento desses sintomas durante a sexta-feira.

O gráfico de hoje é do S&P500 o time-frame é Semanal

No longo prazo o S&P500 continua no canal superior do padrão de pitchfork (seta laranja), pelo que para já as perspectivas favorecem os Bulls

Marco Silva