Date: 14 Set 2017

Por altura da crise financeira de 2008 seriam raros os analistas que acreditavam que Wall Street tivesse uma recuperação tão fulgurante e prolongada como a que tem tido, que coloca o recente Bull Market como o terceiro melhor de toda a história do S&P500, com os ganhos nos últimos 8 anos a aproximarem-se dos 300%. É certo que as inéditas medidas extraordinárias colocadas em prática pelos principais bancos centrais, nomeadamente com o programa de compra de activos, vieram alterar radicalmente as “leis de jogo”, permitindo ao sistema uma recuperação sustentada, mas criando igualmente uma distorção no binómio procura-oferta, e se os receios da retirada dos estímulos não são relevantes quanto ao seu impacto na economia real, já no sentimento do mercado e na relação de forças dos seus intervenientes, o cenário muda de figura, sendo para já essa a maior incógnita dos últimos meses e que continuará a dominar o pensamento dos investidores.

Mas enquanto tal não se torna um assunto em cima da mesa, o rumo dos indices norte-americanos permanece claro, para cima sempre que possível e quando tal não é propicio então o movimento é lateralizado com a possibilidade de uma ligeira correcção, tem sido este o dia a dia de Wall Street nos últimos dois anos. Ontem e apesar dos ganhos serem bastante reduzidos, novos máximos foram registados e o desfecho só não foi melhor porque a Apple esteve numa dia de vender nas notícias, após o evento de apresentação de produtos ter colocado algumas questões quanto à capacidade dos mesmos suportarem o ritmo de crescimento a que a empresa está habituada.

Os activos refúgio continuaram a ceder terreno com o Ouro a recuar 0,4% para os $1,328 por onça enquanto que o Yen seguiu no mesmo ritmo e corrigiu para os 110.62 por dólar. Destaque para o Crude, que beneficiou de um melhoramento das previsões do consumo do activo por parte da International Energy Agency, o que permitiu ao “ouro negro” valorizar 2,2% para os $49.30 por barril.

 

O gráfico de hoje é do SGD/JPY, o time-frame é de 1 hora

Tal como indiquei possível ontem a confluência de duas importantes zonas de resistência no gráfico deste activo (linhas verde e azul), têm limitado a capacidade do mesmo em continuar a valorizar, pelo menos sem antes efectuar a respectiva consolidação, como se pode observar pela lateralização do movimento, mesmo em cima das resistências referidas

Marco Silva