Análises de Mercado

Wall Street sem rumo à espera de novidades

Tal como era expectável os índices norte-americanos abriram a semana dentro do mesmo espírito com que navegaram na semana anterior, com tendência maioritariamente ascendente, onde os ursos não têm espaço, mas sem grande entusiasmo por parte dos touros, que por agora estão ocupados na rotação de capital no denominado “reflation trade”, que envolve a preferência por activos que irão beneficiar com a abertura gradual da economia, como as energéticas, mas também o sector financeiro, uma vez que o mercado espera que a inflação suba significativamente, o que acabará por pressionar as taxas de juros em alta, e ajudar nas margens de lucro da banca. Movimento ascendente no custo do dinheiro que já ocorre desde o início do ano mas nas maturidades mais longas, com os juros a 30 anos das obrigações do tesouro norte-americano a tocarem nos 2%, um valor de pré crise COVID, mas ainda muito abaixo da média de longo prazo que se situa nos 4,92%.

Curiosamente e não obstante o S&P500 e o Nasdaq terem atingido novos máximos históricos durante a sessão, coube ao Dow Jones a única valorização no final do dia, muito por causa dos ganhos registados pelas industriais Boeing e Caterpillar, assim como da Chevron e das financeiras J.P. Morgan e Goldman Sachs. As small-caps, que têm tido a estrelinhas dos ganhos estiveram terça-feira fora do radar dos touros, num movimento de consolidação que empurrou o Russell 2000 para uma queda de -0,57%. No entanto o cenário de curto-médio prazo continua a favorecer as pequenas e médias empresas, pelo menos até ser aprovado o pacote de estímulos proposto pelo Presidente Joe Biden, de $1,9 triliões, mas que deverá ficar por um valor inferior, tendo em conta que algumas medidas que constam do documento, não são do agrado da totalidade dos senadores Democratas no Congresso dos EUA.

Independentemente do valor ou do atrasado na aprovação do balão de oxigénio à maior economia do mundo, que terá como ponto alto os $1,400 em cheques a serem enviados para cerca uma boa parte dos cidadãos, e que poderá gerar uma nova onda de pressão compradora vinda dos pequenos investidores, o certo é que o optimismo está bem generalizado nos gestores de património, com os níveis de dinheiro dos principais portfólios a cair para os 3,8%, o valor mínimo desde 2013, altura em que o FED começou a falar na redução do seu programa expansionista e de estímulos. Uma sondagem do Bank of America revelou que 91% dos 225 gestores esperam uma economia mais forte, o valor mais optimista destas sondagens do grupo financeiro.
Curiosamente só 13% dos inquiridos estão preocupados com uma bolha no mercado, e 53% indicaram que Wall Street está numa fase tardia de um bull market, enquanto que 27% estão ainda menos cautelosos ao referirem que o território dos touros só agora começou, ou seja o sentimento é claramente bullish, contudo isso nem sempre é bom, aliás, costuma ser um indício de que uma viragem está para ocorrer.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

O principal par de moedas poderá estar na iminência de efectuar um padrão de Head&Shoulders invertido, caso quebre e mantenha a linha dos ombros a azul, o que daria caminho livre para testar os máximos de Janeiro

Marco Silva

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