Análises de Mercado

Wall Street prepara-se para enchente de dinheiro

Numa outra qualquer altura por estes dias viveriam-se tempos de grande euforia nos índices norte-americanos, pelo simples facto de se esperar uma nova enchente de dinheiro que vai parar aos bolsos dos consumidores nos EUA, derivado do cheque de $1,400 que o Presidente eleito, Joe Biden, pretende que seja enviado rapidamente para cerca de 150 milhões de cidadãos. Essa mentalidade de injectar muita liquidez no sistema foi reforçada pela próxima secretária do Tesouro, Janet Yellen, ao deixar claro na sua intervenção junto no comité do Senado para a sua nomeação, que esta é a altura certa para pensar em grande e não estar preocupado com os custos de um aumento da dívida pública, até porque esses deverão estar contidos por um período prolongado de tempo, para além do facto de que fazer pouco agora será mais gravoso no médio prazo.

A antiga presidente do FED, que habituou o mercado a declarações mais contidas, encarnou já por completo o seu novo papel ao defender efusivamente o programa do Presidente Biden, não apenas no tema dos estímulos mas igualmente na questão da guerra comercial. Num tom obviamente diferente Yellen classificou a China como o concorrente estratégico mais importante e que é preciso trabalhar com os aliados no sentido de fortalecer a economia para serem mais competitivos, não deixando no entanto de referir que é preciso combater as práticas abusivas, injustas e ilegais praticadas pela China, que está a minar a competitividade da maior economia do mundo, nomeadamente através da venda de produtos a preços abaixo de custo, na criação de barreiras às trocas comerciais, na atribuição de subsídios ilegais às empresas chinesas, bem como através do roubo de propriedade intelectual e no exercício de práticas que lhe dão vantagem competitiva, como por exemplo a transferência forçada de tecnologia.

Então porque motivo não está Wall Street num fervor bullish? Bom, existem algumas razões prováveis, sendo as principais derivadas exactamente das consequências intencionais desse pacote de estímulos. Com efeito é esperado que tal magnitude de dinheiro exerça uma pressão muito positiva na economia, uma vez que não deverá ser acto isolado, o que pode vir a adiantar o movimento de normalização da politica monetária, apesar da negação de Jerome Powell esta semana. Para além disso o ruído sobre uma bolha no mercado é cada vez maior e existe um forte sentimento para a necessidade de pelo menos deixar o mercado sossegar um pouco das valorizações, o que não implica obrigatoriamente uma correção, mas a cautela está por agora a dominar, veremos se é apenas um cenário fugaz e se com o início do mandato de Biden a corda parte, seja qual for o sentido, empurrando os índices para oscilações significativas.

O gráfico de hoje é do EUR/GBP, o time-frame é Mensal

A saída do Reino Unido da União Europeia estava já descontada pelos investidores, que por agora não estão a imprimir nenhum movimento digno de registo no par de moedas.

Marco Silva

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