Análises de Mercado

Wall Street navega sem vento

Depois de mais uma semana onde os Touros dominaram os acontecimentos, ao que se seguiu uma entrada nesta nova semana igualmente em alta, o sentimento que reina nos investidores é o da necessidade para uma pausa, dado que os índices norte-americanos têm batido recorrentemente novos máximos históricos, quase semana após semana. Ao mesmo tempo que Wall Street circula por ar mais rarefeito as razões para a continuação do bull market ficam cada vez mais difíceis de encontrar um mínimo de razoabilidade, para além da importante mas subjectiva esperança. Esperança essa que assenta numa melhoria da situação de saúde pública a nível global, nomeadamente à não existência de uma segunda vaga ou à disponibilização de forma abrangente de uma vacina, mas também a expectativa de que os próximos tempos serão de recuperação económica, não obstante o ritmo poder ser mais lento que o desejado.

Cortes nos impostos e mais recentemente um histórico programa de auxílio à maior economia do mundo têm suportado o seu crescimento, contudo isto não é isento de consequências, aliás é um jogo de elevado risco, porque se em 240 anos de história os EUA acumularam $20 trilhões de dívida pública, foram precisos menos de quatro anos apenas, ou o mandato de Trump para que esse montante tivesse disparado mais de 30% para os $26,5 triliões, colocando o rácio de dívida versus PIB num máximo histórico de 120%, segundo algumas previsões macroeconómicas para 2020/2021. Esta tendência não é novidade, nem exclusiva do actual presidente norte-americano, tendo em conta que a crise financeira de 2008 fez esse rácio passar dos 60% para os 100% em apenas cinco anos, tendo o volume mais que duplicado dos $9,4 triliões no segundo trimestre de 2008 para os $19,2 triliões no primeiro trimestre de 2016.

Este avolumar do peso da dívida só tem sido exequível devido ao novo papel que os bancos centrais estão a desempenhar, nomeadamente o FED, que ao comprar quantidades significativas da dívida, em forma de obrigações, retira da equação a falta de procura e o aumento dos custos, que poderiam haver por causa do maior risco associado. O aumento da massa monetária leva a um enfraquecimento da moeda, daí que nesta fase de aumento substancial de emissão de dívida e respectiva compra por parte do FED, o U.S dólar esteja sobre alguma pressão negativa adicional, uma vez que o ritmo de crescimento do passivo tem sido superior ao verificado na União Europeia e indirectamente no BCE. Por agora este é um tema que aparentemente não condiciona o mercado, mas é um risco sério que paira sobre Wall Street, um risco sério que ainda ninguém referiu ter a mínima ideia de como o diminuir para além da teoria do crescimento económico futuro reduzir esse rácio, o que não é errado se houver crescimento económico, o problema é se aparece outra crise antes de ocorrer essa redução da dívida como aconteceu entre a crise de 2008 e a actual.

O gráfico de hoje é da Prata, o time-frame é Semanal

A prata, parente “pobre” do Ouro tem um desempenho muito mais brilhante que o seu parceiro nos metais preciosos, mas que duplicando o seu valor.

Marco Silva

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