Date: 26 Jul 2019

Não obstante os inúmeros avisos sobre uma bolha especulativa em diversos activos por causa da enorme liquidez injectada pelos bancos centrais desde a crise financeira, com a última nota de cautela a chegar do CEO do UBS ainda esta semana, o certo é que os investidores aparentam não querer outro desfecho que não juros baixos e mais quantitative easing, deixando para segundo plano bons dados económicos que possam indiciar um novo fôlego do crescimento económico. Tem sido assim nos anos mais recentes e foi assim de novo ontem, após as vendas de bens duradouros nos EUA terem saído bem acima do esperado, o que reforçou a ideia de que o consumidor continua confiante e a puxar pela economia, o que por sua vez reduziu as perspectivas para um FED mais agressivo no seu novo caminho dovish.

Hoje de novo esse mote foi validado, pois assim que saíram os dados sobre o PIB dos EUA, que foram melhores que o previsto com um crescimento de 2.1% contra os 1.8% antecipados, ao mesmo tempo que o consumo pessoal aumentou 4.3% contra os 4% esperados, como é que o mercado reage? com um recuo dos futuros que estavam positivos devido a alguns bons resultados empresariais que foram anunciados. No final do dia será possível aferir do impacto total da notícia, até porque apesar de alguns nomes importantes terem surpreendido pela positiva na earnings season, como a Google, o certo é que outros como a Amazon desiludiram. Interessante é também constatar que nesta fase a contracção dos lucros prevista é já apenas de -1.9% contra os -3% antecipados antes da época de reporte, sendo muito curioso que o sector financeiro foi o que até agora mais surpreendeu pela positiva, enquanto que as energéticas e as empresas ligadas aos materiais as que mais desapontaram.

No mercado cambial o U.S dólar valorizou ontem 0.2% contra um cabaz de outras moedas principais e continuou a valorizar hoje, sendo provável alguma força devido à qualidade dos números do PIB, visto que retiram ainda mais fundamento a um FED agressivamente dovish.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

O principal par de moedas continua a respeitar o canal descendente (linhas azuis) em que se encontra com a linha inferior a ter resistido ao teste de ontem.

Marco Silva