Date: 14 Fev 2018

Apesar do final positivo, muito por culpa de uma puxada à hora de almoço, o principal a reter da sessão de ontem foi o sentimento de cautela e expectativa quanto aos dados que hoje irão ser divulgados relativos ao Consumer Price Index, que providencia indícios quanto ao movimento da inflação nos EUA. Apesar da sua importância para um dos principais desígnios de qualquer banco central, o certo é que a última década, passada num clima de crise, recuperação e expansão, mas com o denominador comum de juros baixos, nunca foi um indicador que fizesse “parar” o mercado, contudo após a última reunião do FED isso mudou. Isto porque a surpresa inicial sobre a possibilidade de quatro subidas dos juros em 2018 abriu igualmente espaço para um movimento mais acelerado em 2019, colocando a taxa de referência do FED no patamar dos 3,25 a 3,75% daqui cerca de dois, um valor consentâneo com uma politica monetária normalizada.

A questão aqui prende-se com a visão dos investidores quanto à capacidade da economia suster esse aumento dos juros, mas especialmente das empresas em conseguirem manter o ritmo de forte subida dos lucros, que têm evidenciado nos últimos dois anos e que esta earnings season continua a reforçar, com cerca de 78% de 350 empresas que fazem parte do S&P500 a baterem as previsões, uma média superior aos 72% do último ano. Mas esses ventos favoráveis podem mudar, especialmente se a reforma fiscal nos EUA não surtir o efeito desejado ou se os consumidores e empresas adoptarem uma mentalidade mais cautelosa quanto a gastos e investimentos em virtude da quase inevitabilidade de juros mais elevados. Juros esses que podem inclusive subir de forma mais acentuada caso a inflação dê sinais de sobreaquecer, isto depois de dois anos em que este indicador esteve abaixo do que era previsível para o crescimento económico evidenciado pelos EUA.

Será igualmente importante não perder de vista o movimento do U.S dólar, porque a moeda norte-americana não tem tido o comportamento expectável e condizente com um caminho mais rápido do tightening, existe pois alguma “incoerência”, que poderá ser explicada pelo facto dos investidores não estarem a dar grande credibilidade à uma continuação do oásis do crescimento económico, que suportaria a subida de valor da moeda, ou em alternativa a descontar o efeito do aumento da dívida, resultante da reforma fiscal.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Diário

Bastante cautela com o movimento dos próximos dias do principal índice, o facto de ontem não ter quebrado os máximos de segunda-feira não é bom indicador para os Bulls, e nas próximas sessões os máximos do primeiro rebound (A) deverão ser quebrados caso a recuperação seja para continuar a bom ritmo, ou poderá ser formado um padrão bearish com uma ligeira lateralização por volta dos valores actuais com o stochastic a subir, e então depois poderá seguir-se outra queda significativa.

Marco Silva