Análises de Mercado

Wall Street em pausa à espera de Biden

Numa fase de elevada incerteza em diversos campos que podem condicionar o comportamento dos índices norte-americanos, os investidores optaram esta terça-feira pela cautela, deixando Wall Street navegar sem grande variação, mas não permitindo o vermelho no final da sessão, isto a cerca de 48 horas do presidente eleito, Joe Biden, revelar a dimensão dos estímulos que pretende aprovar pouco depois da tomada de posse no dia 20 de Janeiro, falando-se inclusive da possibilidade de aprovar a proposta primária dos Democratas, omnipresente em todo o processo de negociação com os Republicanos, que demorou cerca de 6 meses. Refiro-me ao cheque de $2,000, contra os $600 constantes do pacote de $900 biliões acordado em Dezembro com os Republicanos, que pode chegar aos bolsos dos cidadãos num curto espaço de tempo, visto que daqui a poucos dias os Democratas irão controlar todos os centros de decisão.

 

Com o ruído entretido na proposta dos Democratas em retirar Trump da Casa Branca antes do dia 20, através de um “impeachment” expedito, os motivos para tomar as rédeas do mercado não existiram, até porque o tempo é de mudanças, não apenas políticas, mas provavelmente também de avaliação, nomeadamente na percepção que os investidores têm sobre o caminho das taxas de juro, sector onde desde o início do ano se tem verificado todos os dias um aumento da diferença entre os juros nas obrigações do tesouro dos EUA de maturidade superior e as de menor duração, ou seja, uma indicação de que o mercado espera uma avalanche de estímulos no mandato de Biden, que aliada ao controlo da pandemia a meio desde ano, consiga colocar a maior economia no rumo do crescimento robusto e da subida da inflação.

 

Este tema pode muito bem ser o que irá definir 2021, uma vez que qualquer alteração na mentalidade ultra-dovish por parte do FED, com a probabilidade de redução do programa de estímulos e mesmo o começo de um planeamento para subida dos juros, é motivo suficiente para uma reacção negativa no mercado accionista, tal como se verificou em Outubro de 2018. Para já é apenas uma conjectura, retirada da subida dos juros de longo prazo, mas também da força do U.S dólar dos últimos dias, mas as próximas semanas irão dar mais visibilidade a este assunto, assim que seja mais claro qual a intensidade do novo balão de oxigénio para a economia norte-americana, baseado em boa parte no apoio directo aos cidadãos.

 

 

O gráfico de hoje é do Milho, o time-frame é Semanal

O preço do Milho disparou nas últimas semanas, derivado da redução prevista para a produção nos EUA, Brasil e Argentina, assim como da diminuição do stock da matéria-prima a nível global.

Marco Silva

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