Date: 27 Mai 2019

Desde que a parte principal da época de resultados passou, que Wall Street tem estado sujeita a uma música bem diferente, que resultou na pior série semanal para o S&P500 e Nasdaq deste ano, enquanto que o Dow Jones, mais exposto às empresas exportadores, vai na quinta semana de vermelho, ou seja o pior registo dos últimos oito anos. Com efeito, estas últimas semanas têm sido tudo menos monótonas, começando pelo tweet de Trump sobre a intenção de aumentar para 25% as tarifas alfandegárias a mais $200 mil milhões de produtos importados pelos EUA da China, passando pela concretização dessa ameaça, da resposta do país asiático, à contra-resposta de Trump que limitou severamente as operações da emblemática empresa chinesa, Huawei, ao apaziguamento com a suspensão parcial por noventa dias dessa limitação, e pelo meio alguns desenvolvimentos da novela Brexit, os investidores têm navegado num turbilhão de sentimentos.

Contudo e não obstante a sequência de registos negativos que referi, o certo é que os índices norte-americanos não estão muito longe dos máximos históricos, nos últimos cinco dias de negócios por exemplo, os prejuízos dos Bulls variaram “apenas” entre os -0.68% no Dow Jones e os -2.29% no Nasdaq, o que é natural devido à maior importância dos semicondutores, afectados pelo caso Huawei, no índice tecnológico. Mas para além dessa espuma causada pelos títulos das notícias sobre a guerra comercial, recentemente tem sido evidente nos dados económicos que esse conflito, em conjunto com outros factores, está a afectar a performance da economia mundial, com realce para os números que saíram durante a semana sobre a zona euro e EUA que pintam um cenário, no mínimo cinzento.

Isto porque em ambas as zonas económicas os índices de actividade reforçaram a tendência de arrefecimento nos serviços, agora já muito perto da contracção, e o agravamento do recuo verificado no sector da manufactura, que nos EUA atingiu o mínimo de nove anos. Para além disso as vendas de bens duradouros do outro lado do Atlântico, caiu mais que o esperado. A fraqueza nos dados económicos prejudicou o U.S dólar que perdeu -0.2% na sexta-feira contra um cabaz de outras moedas principais, dando espaço para as valorizações de 0.3% no Euro e no Yen, enquanto que a Libra inglesa ganhou 0.4% para os $1.2715, no dia em que Theresa May anunciou a sua demissão do líder do partido Conservador para o dia 7 de Junho, o que irá resultar num novo detentor do cargo de primeiro ministro do Reino Unido até final de Julho.

Para esta semana para além dos resultados das eleições europeias e de eventuais desenvolvimentos no tema da guerra comercial, há que ter em conta os dados económicos que vão sair sobre a zona Euro e EUA, relativos às vendas a retalho, inflação, rendimentos e sobre o PIB da maior economia do mundo.

O gráfico de hoje é do XLP, o time-frame é Diário

Para além de estar muito perto dos máximos históricos o índice das retalhistas de produtos essenciais, um sector refúgio, está com tendência bullish derivada do canal ascendente (linhas azuis), que permanece intacto.

Marco Silva