Date: 06 Fev 2020

Se dúvidas houvessem sobre a capacidade e vontade dos investidores em continuarem a puxar pelos índices norte-americanos, quase contra tudo e contra todos, a sessão de quarta-feira dissipou uma boa parte dessas incertezas. Depois de na semana passada Wall Street ter estado sobre o pessimismo derivado das possíveis consequências para o comércio global da epidemia do Coronavirus, as últimas três sessões não só anularam as perdas daí resultantes como após o dia de ontem puxaram o S&P500 para novos máximos históricos, bastando para isso a possibilidade de estar para breve um tratamento ou vacina contra o vírus (2019-nCoV), bem como e talvez mais importante, a decisão do Banco Central da China em reduzir os juros, não apenas esta semana mas muito provavelmente também no dia 20 de Fevereiro, pretendendo com isso minorar os efeitos negativos da paragem temporária de muitos negócios no país.

Outra fonte de optimismo importante, especialmente para o mercado norte-americano, foram os números do emprego privado, que removeram de cima da mesa o risco da maior economia do mundo entrar numa fase de menor robustez do mercado de trabalho, o grande pilar do crescimento económico e da confiança dos consumidores nos últimos anos. Mas se a tendência na quarta-feira foi indiscutivelmente ascendente, o panorama não foi equilibrado com as tecnológicas a ficarem bem para trás do restante mercado, muito por culpa da Tesla, que após um movimento significativo de valorização nos últimos quatro meses, em que a cotação quadruplicou de valor, ontem bateu contra uma parede e o seu valor encolheu 17%, depois da empresa ter anunciado que as entregas do seu modelo Model 3 sedan na China estão atrasadas por causa da epidemia do Coronavirus.

Nos sectores do S&P500 foi portanto visível duas histórias dentro de uma história alegre para os Touros, com as energéticas a dominarem os ganhos ao valorizarem 3.78%, ligeiramente mais que a subida de 2,9% verificada no WTI crude para os $51.04 por barril. Do lado inverso os sectores refúgio estiveram claramente com menor procura, nomeadamente nas imobiliárias que acabaram mesmo por ser o único sector a perder valor, ainda que apenas -0.07%. No mercado cambial os dados do emprego deram força ao U.S dólar e a moeda conseguiu ganhar terreno ao amealhar 0,2%, deixando o Euro com uma perda de -0.4% para os $1.099.

Hoje será interessante aferir como se irá comportar Wall Street, irá estender a marca de novos máximos históricos ou faz uma pausa para novo arranque na sexta aquando da saída dos non-farm payrolls?

O gráfico de hoje é da Tesla, o time-frame é diário

Depois de uma fase de lateralizaçao (duas linhas inferiores), que durou dois anos, o preço dos títulos da Tesla explodiram, estando agora a linha azul mais acima como zona de possível suporte primário, sendo no entanto mais fraco em caso da variação continuar a ser violenta, como foi ontem.

Marco Silva

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