Análises de Mercado

Wall Street aproveita o empurrão de Trump

Com os investidores já bastante desanimados quanto à possibilidade de um acordo para um pacote de estímulos à maior economia do mundo, depois dos cerca de $3 triliões já aprovados pelo Congresso norte-americano logo após o rebentar da pandemia, foi com algum optimismo contido que o mercado recebeu a notícia de que Trump afinal apoia a proposta dos Democratas, e disse mesmo que até queria suplantar os $2,2 triliões, apesar do que existe em concreto para já por parte da Casa Branca são $1,8 triliões. Contudo e não obstante o aliviar das nuvens mais cinzentas o certo é que dificilmente haverá acordo, dado que os Republicanos nem sequer aceitam a proposta mais baixa de Trump, quanto mais a dos Democratas, tendo previsto aprovar no Senado um pacote mais ligeiro que será baseado no popular Paycheck Protection Program e num plafond de $500 biliões para um conjunto de apoios aos cidadãos, onde se inclui um cheque semanal de $300, cerca de metade do pretendido pelos Democratas.

 

Esta última jogada de Trump é uma cartada política, tentando colocar-se no lado que quer uma negociação com sucesso e que a economia receba o apoio que tanto precisa, tal como tem sido referido por vários membros do FED. O presidente norte-americano indicou até que caso o seu secretário do Tesouro e a líder dos Democratas cheguem a um entendimento, então Trump conseguirá os votos suficientes do lado azul para que o acordo passe no Senado, uma vez que na Câmara dos Representantes dominada pelo lado vermelho não deverão haver impedimentos. Nancy Pelosi que tinha indicado esta terça-feira como o dia limite para as negociações chegarem a bom porto, já veio diminuir a importância do prazo limite, mas ainda assim a esperança de que até ao final do ano exista um balão de oxigênio é bastante moderada. Mas no caso de um desfecho positivo é importante não esquecer que o mercado já tem um premium de expectativa, ou estaria com uma consolidação em baixa mais vincada nos últimos dias, daí que poderá ocorrer o já habitual movimento de “comprar nos rumores e vender nas notícias”.

 

Já depois do mercado fechar a Netflix desiludiu nos resultados, o que empurrou os títulos da empresa de streaming para uma queda superior a -5%, contudo o sentimento para quarta-feira, nomeadamente nas tecnológicas, não deverá ser condicionado por isso, mas sim pelos desenvolvimentos relativos ao pacote de estímulos nos EUA. No mercado cambial foi dia de alguma fraqueza para o U.S dólar que cedeu -0.3% face a um cabaz de outras moedas, o que também ajudou os índices accionistas a ganhar cerca de 0,4%, ao mesmo tempo que abriu espaço para o Euro valorizar 0,5%, terminando nos $1,1825.

 

 

 

O gráfico de hoje é do USD/BRL, o time-frame é de 1 hora

 

Este par de moedas teste a linha inferior do canal em que se encontra, depois de ter demonstrado fraqueza ao não ter ido testar primeiro a linha superior, continuando com tendência ligeiramente bearish até efectuar esse teste.

 

Marco Silva

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