Análises de Mercado

Wall Street alivia do pessimismo em véspera de eleições

Depois de uma semana francamente negativa os índices norte-americanos abriram este novo ciclo de cinco sessões com o céu menos carregado de preocupações, em vésperas das eleições presidenciais que poderão condicionar o sentimento nos próximos meses, caso exista um impasse em relação à aceitação do derrotado quanto ao desfecho do escrutínio eleitoral. Com a pior semana desde Março é inevitável que se retirem ilações que as valorizações de segunda-feira não eliminam, nomeadamente sobre uma clara procura por retirar risco de cima da mesa numa fase de elevada indefinição, não apenas política, mas também económica, uma vez que as previsões são pouco animadoras para os próximos meses, após a bonança do terceiro trimestre, devido aos estímulos fiscais e intervenções do FED.

Ao nível empresarial o optimismo também não reina, dado que mesmo as grandes tecnológicas, onde os Touros depositavam fortes esperanças de um registo robusto na última metade do ano, foram bastante cautelosas nos “outlooks” que indicaram nas suas divulgações de resultados, sendo que algumas nem sequer a isso se atreveram. No campo da saúde o panorama é ainda mais negro, com a esperada segunda vaga da pandemia de COVID-19 a fazer-se com elevada incidência na Europa e nos EUA, levando vários governos a tomar medidas muito similares, e em alguns casos até mais restritivas, às de Março, com a agravante que contrariamente ao que seria de esperar, tendo em conta os meses que passaram de aprendizagem e de espaço para preparação, nesta fase os números da propagação estão ainda mais severos, deixando antever uma fase final de ano com pouco espaço para o retomar da actividade económica.

E é no meio deste caldo de problemas que a maior economia do mundo está sem uma luz ao fundo do túnel, refiro-me à questão dos estímulos fiscais, que já foram enquadrados por vários dos principais intervenientes de mercado, com destaque para o presidente do FED, como essenciais, e não precisamos de procurar muito por razões que o justifiquem, tendo em conta que foram os cerca de $3 triliões em auxílios do Governo norte-americano que impediram uma recessão com consequências imprevisíveis, pois desta feita o tema fulcral é o da sobrevivência, não de um sector, mas da maioria dos sectores, e mais importante, dos cidadãos, que de um momento para o outro tiveram que ficar recolhidos em casa e sem trabalho, valendo portanto os diversos subsídios providenciais, que entretanto terminaram.

Logo é natural que sem grandes catalisadores para a subida e com vários para a descida, os investidores estão por agora agarrados à enorme pilha de liquidez existente, que vai aguentando os índices e protegendo-os de correcções significativas, resta saber até quando, caso por exemplo o assunto da presidência dos EUA não fique resolvido esta semana.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 4 horas

Fase importante para o S&P500, uma vez que está a testar, de novo, a quebra em alta da linha inferior do canal descendente, e talvez no processo fazendo um Head&Shoulders invertido.

Marco Silva

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