Análises de Mercado

Wall Street ainda sem direção mas com novos máximos

Na sessão de quarta-feira o sentimento dominante foi a cautela, desde logo porque o presidente do FED, Jerome Powell iria falar sobre o estado da economia, e os investidores iriam estar atentos às indicações que poderia dar sobre a mentalidade dos membros do board do banco central, caso a inflação comece a ganhar terreno para além do nível dos 2%, considerado como o ideal para cumprir um dos mandatos da instituição, a estabilidade de preços. Ora Powell satisfez a curiosidade dos investidores, na prática reafirmando o que já tinha indicado, nomeadamente que a política monetária não irá alterar para hawkish até que ocorra uma recuperação económica robusta e que o mercado de trabalho recupere de forma generalizada pela população, permitindo o alívio dos sectores mais afectados pela pandemia de COVID, uma mensagem que pouco conteúdo novo trouxe.

Mas em relação à inflação o presidente da FED foi mais incisivo, assumindo que não obstante ser provável que a inflação suba no final deste ano, quando comparada com o ano passado, ele não antecipa um crescimento significativo e sustentado dos preços nas categorias principais. Contudo esta visão do comportamento da inflação não é partilhada por uma boa parte dos analistas que têm reservas consideráveis quanto à contenção da subida de preços caso o programa de estímulos venha a ser aprovado, bem como dos diplomas subsequentes que irão sustentar a política expansionista de Joe Biden, com destaque para o forte investimento em infra-estruturas e na energia verde. Esta divergência de opiniões entre Powell e o mercado, aliado ao facto das avaliações estarem em valores quase proibitivos, e na ausência de novidades que possam ser aproveitadas como catalizadores para uma nova puxada ascendente por parte dos Touros, deixou Wall Street quinta-feira de novo num cenário de reduzida oscilação no final da sessão, mas onde a volatilidade no sentido a imprimir foi evidente, permitindo ainda assim que S&P500 e Nasdaq tenham registado novos máximos históricos.

Outro tema que está a gerar cautela extra é o da guerra comercial, com os investidores a tomarem cada vez mais consciência que apesar da retórica de Biden ser diferente da de Trump, as relações entre as duas maiores economias do mundo estão longe da pacificação, tendo ficado claro que a guerra pelo domínio económico está agora a começar, depois do presidente norte-americano ter afirmado que a China “irá comer o nosso almoço”, numa referência à necessidade dos EUA investirem fortemente na criação de mais competitividade, ficando agora o assunto pendente mas certamente não adormecido.

No mercado cambial o dia foi de tranquilidade sem grandes variações nos principais pares de moedas, enquanto que nas matérias-primas ocorreu alguma consolidação no Brent e no Ouro, com o preço de ambas a recuar -0,8% e -0,9% respectivamente.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

O principal par de moedas quebrou em alta a linha superior do canal descendente, tendo agora essa mesma linha como zona de suporte provável no curto-prazo.

Marco Silva

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