Date: 03 Jan 2019

Wall Street abriu o novo ano à imagem da performance de Dezembro, com o pessimismo e a volatilidade a dominarem o movimento. Depois dos ganhos de segunda-feira em parte pelos comentários optimistas de Trump em relação às negociações entre os EUA e a China, com vista a resolver o impasse na guerra comercial entre os dois países, ontem esse capital de positivismo desapareceu por completo mesmo antes da sessão iniciar. Desde logo por causa dos dados económicos que saíram da china respeitantes à actividade manufactureira no país, o Caixin/Markit Manufacturing Purchasing Managers’ index (PMI), que ao contrário do que se esperava indiciou uma contracção no sector pela primeira vez nos últimos 19 meses, ao sair nos 49,7 versus os 50,1 esperados e depois dos 50,2 de Novembro.

Umas horas mais tarde foi a vez da Economia da zona Euro reforçar os sinais de abrandamento, com o Eurozone Manufacturing PMI a recuar para os 51,4 depois de ter atingiu os 51,8, com a particularidade da confiança no futuro ter registado o valor mínimo dos últimos seis anos. Destaque para o facto das quatro maiores economias do Euro, Alemanha, Espanha, França e Itália terem de novo apresentado os piores resultados, sendo que as duas últimas estão mesmo em contracção (valor abaixo dos 50). Por outro lado no New York Times os comentários do U.S. Trade Representative Robert Lighthizer, que referiu a colegas e amigos que irá instar Trump a não aceitar promessas vãs da China, só pioraram o sentimento para o dia de trading, com os índices a registarem as maiores quedas da sessão ao fim de cinco minutos de negociação, altura em que lentamente e com diversos pullbacks iniciaram um movimento até território positivo, zona onde navegaram até ao final, averbando ganhos ligeiros.

Sectorialmente o panorama foi claríssimo, os safe heavens, utilities, imobiliárias e retalhistas de produtos essenciais foram fortemente castigados com pressão vendedora, tendo sido os únicos a perder valor para além das farmacêuticas, o segundo sector que mais valorizou em 2018. Destaque para as energéticas que valorizaram 2,07%, batendo todos os outros sectores e na linha do comportamento do preço do crude, que empurrou o WTI para os $46.55 por barril, após a notícia de que a Arábia Saudita reduziu as exportações do activo.

No Forex o dia foi ainda mais animado, dentro e fora das horas normais de negociação. Durante o dia regular o U.S dólar avançou 0,4% contra um cabaz de outras moedas principais, enquanto que o Euro sucumbiu aos maus dados económicos e cedeu -1,1% para os $1.1343, ligeiramente melhor que o deslize de -1% na Libra inglesa para os $1.2611, não obstante o aumento de ordens à industria do Reino Unido em antecipação ao Brexit. Já o Yen valorizou 0.6% para os 109.123, mas foi no after hours que brilhou, num movimento típico de flash crash no USD/JPY, que empurrou o par para uma perda de quase 4%, naquilo que aparenta ter sido um vazio de liquidez que se aliou a uma procura por activos refúgio após a Apple ter anunciado a revisão em baixa dos seus resultados esperados para o último trimestre de 2018, devido à menor prestação nas vendas dos iphones na China. Tim Cook, o CEO da gigante tecnológica referiu em entrevista à CNBC, que era esperado um arrefecimento da segunda maior economia do mundo, mas que o mesmo tem sido superior ao antecipado devido à guerra comercial da país asiático com os EUA, tendo sido notado menor tráfego de clientes nas lojas da empresa e dos seus parceiros na China.

Aviso que fez estragos nos futuros de Wall Street e que levou os futuros do Nasdaq a cederem perto de 2%, prevendo-se portanto um início com maior pressão vendedora, tanto na Europa como mais tarde, aquando da abertura das bolsas nos EUA.

O gráfico de hoje é do USD/JPY, o time-frame é Semanal

 

O flash crash neste par de moedas ignorou por completo a zona de resistência primária que referi ontem, pelo menos num instante, sendo que depois com o volume foi para essa zona que o activo se encostou. Estes movimentos imprevisíveis relembram a importância do cuidado com a alavancagem mesmo em activos com bastante estabilidade como este, que é um dos mais importante do Forex. O preço acabaria por encontrar suporte apenas na segunda zona de resistência (linha verde-mínimos de Abril),

Marco Silva

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