Date: 10 Out 2018

À entrada da última earnings season deste ano os investidores foram confrontados com uma realidade que até agora tinha sido algo descurada no meio de boas notícias económico-empresariais, contudo a realidade é que a guerra comercial terá consequências nefastas para as duas maiores economias e em consequência para o resto do mundo, foi isso mesmo que afirmou o FMI ontem ao reduzir as estimativas do crescimento económico mundial para 2018 e 2019, nomeadamente reduzindo as previsões para a performance dos EUA e da China, este último que recordo tem sido responsável por uma larga fatia do crescimento global dos últimos anos. Como referi ontem a actuação do banco central chinês para revitalizar a economia local já antecipa problemas, a questão que se coloca agora é que libertar mais dinheiro para o sistema enfraquece o Yuan, o que por sua vez agudiza o conflito comercial, visto que a fraqueza da moeda chinesa tem sido um dos pontos mais criticados por Trump.

Nas próximas semanas se verá qual vai ser o peso da incerteza dos efeitos negativos da guerra comercial no outlook das empresas, um dos pontos que será mais analisado pelos investidores, até porque as empresas do S&P500 recolhem cerca de metade das suas receitas no estrangeiro. Para além disso a subida do custo das matérias-primas, dos juros e da inflação, são tudo factos potencialmente desafiantes para a rentabilidade das empresas, tal como ontem ficou patente no anúncio da PPG Industries, do sector químico, que alertou para uma redução dos lucros devido ao aumento do preço da matéria-prima e menor procura por parte da China. Em resultado disso as exportadoras foram afectadas com pressão vendedora, com especial ênfase para o sector industrial e dos materiais, os que mais perderam ontem no S&P500, com as tecnológicas a registarem um dia de rebound técnico, conseguindo escapar ao vermelho, embora que por uma margem residual.

Apesar da sessão não ter tido desempenhos muito negativos nos índices de Wall Street o certo é que a procura por activos refúgio continuou, as utilities foram de novo as que mais valorizaram e no Forex o Yen amealhou mais 0,3% para os 112.93, numa sessão em que o U.S dólar terminou praticamente inalterado, enquanto que a Libra Inglesa adicionou 0,4% ao seu valor.

O gráfico de hoje é do Russell 2000, o time-frame é Mensal

O índice das small caps poderá vir a validar um padrão de duplo topo com divergência no stochastic (linhas verdes) que poderá ser o percursor de uma correcção até aos mínimos de 2016.

Marco Silva

 

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