Date: 02 Nov 2017

Com a Europa em máximos de 2 meses, após o DAX valorizar 1,78% e o abrangente STOXX 600 ter somado mais 0,33%, e com o Nikkei a ganhar 1,9%, foi com naturalidade que o optimismo dominou na abertura de Wall Street, até porque os resultados empresariais continuam a bater em alta as expectativas, assim como os dados económicos, nomeadamente os números do emprego ADP, que geralmente antecipam a qualidade dos non-farm payrolls, saíram nos 235,000, acima da previsão de 200,000 novos empregos. Em consequência a pressão compradora empurrou os indices norte-americanos para máximos históricos, contudo depressa o entusiasmo esmoreceu, com particular destaque para as small caps, que foram afectadas negativamente provocando uma perda de -0.66% no Russel 2000, com a noção de que a reforma fiscal prometida por Trump pode não vir a ser aprovada nos prazos previstos, e mesmo que tal aconteça a forma de implementação dos cortes nos impostos será muito provavelmente faseada, o que tem retirado brilho e premium ao sector das small caps, que tem sido mais beneficiado pela possibilidade da efectivação daquela que foi uma das promessas mais emblemáticas do presidente eleito o ano passado.

Estava já Wall Street perto da linha do inalterado, quando do FED chegou o alento que permitiu ao S&P500 e ao Dow Jones escaparem ao vermelho, destino que o recuo dos títulos da Apple, em vésperas do anúncio dos seus resultados, não permitiu ao Nasdaq. Como era expectável o banco central dos EUA não alterou as suas taxas directoras e abriu a porta a esse movimento para a reunião de Dezembro, isto porque a maior economia do mundo encontra-se num ritmo de crescimento robusto e estável, permitindo assim reduzir os estímulos provocados por juros baixos. Outro tópico importante relativo ao FED foi igualmente conhecido ontem, nomeadamente o facto de Trump anunciar esta semana que Jerome Powell, actual governador do banco central, irá suceder a Janet Yellen, pelo menos de acordo com o Wall Street Journal. Powell é conotado pelos investidores como sendo a linha da continuação da politica conduzida por Yellen, ou seja de movimentos graduais e cautelosos, facto que é do agrado do mercado.

Para hoje destaque para a decisão do Banco de Inglaterra, que se espera vai anunciar a primeira subida de juros de uma década, algo que o valor da libra já incorpora em parte, o que possibilitou à moeda ter terminado ontem em máximos de um mês, nos $1.3288.

 

O gráfico de hoje é do Bra50, o time-frame é Diário

O índice brasileiro encontra-se dentro de um padrão de duplo topo (linhas verdes), que poderá criar espaço para um retracement ainda mais acentuado, resta estar atento para eventuais reversões do sinal

Marco Silva