Date: 06 Jun 2019

Diz o ditado que “há males que vêm por bem”, ora na sessão de quarta-feira foi exactamente isso que aconteceu com os investidores a retirarem optimismo dos maus dados económicos que saíram sobre o mercado de trabalho nos EUA, pois tal fraqueza poderá ajudar o banco central norte-americano a cortar os juros mais vezes e mais cedo, havendo agora mesmo uma boa percentagem do mercado que acredita numa descida já no mês de Julho, com vista a uma actuação preventiva para conter os efeitos negativos do agudizar da guerra comercial, que Trump tem desenvolvido com algumas das principais economias do mundo, mas com óbvio destaque para o conflito com a China.

Com efeito, em resposta à forte desilusão verificada nos números ADP sobre a criação de postos de trabalho no privado, que cresceram ao ritmo mais baixo dos últimos nove anos, com apenas 27.000 criados contra os 173.000 esperados, o sentimento predominante continuou a ser o cenário dovish pintado pelo presidente do FED, bem como da probabilidade das tarifas ao México não chegarem a ver a luz do dia, com o líder da maioria no Senado dos EUA, do partido Republicano, a referir que o presidente deveria expor o seu caso antes de tentar impor tais sanções, visto que serão muito provavelmente bloqueadas.

Duas curiosidades muito relevantes, a primeira a clara divergência entre as small caps, com o Russel 2000 a perder valor, ainda que por uma margem residual de -0.12%, enquanto que os três índices principais valorizaram entre os 0.64% do Nasdaq e os 0.82% atingidos pelo industrial Dow Jones e o abrangente S&P500. A segunda foi outra divergência, desta feita no comportamento dos sectores no principal índice, com os activos refúgio a registarem as maiores valorizações do dia, com subidas de 2.33% no imobiliário, 2.14% nas utilities e 1.12% nas retalhistas de produtos essenciais, ou seja uma forte procura por segurança que não é compatível com os ganhos verificados, podendo tal indiciar uma surpresa para a sessão de hoje ou de amanhã.

No mercado cambial o dia foi de subida para o U.S dólar, com a moeda norte-americana a impor-se contra um cabaz de outras moedas principais após uma valorização de 0.3%, o que empurrou tanto o Euro, como o Yen para perdas de 0.3%.

O gráfico de hoje é do EURUSD, o time-frame é Diário

O principal par de moedas encontrou ontem resistência na linha superior do canal descendente (azul), tal como seria expectável, contudo os próximos dias irão confirmar se essa zona é de resistência duradoura ou apenas pontual

Marco Silva