Análises de Mercado

Vacina sem eficácia contra a cautela em Wall Street

A sessão de segunda-feira já indiciava que o catalisador de uma nova potencial vacina contra o COVID-19, desta feita pela Moderna, não seria tão forte como o anúncio da semana passada por parte da Pfizer, com os índices norte-americanos a valorizarem de forma bem mais modesta e sem o enorme desequilíbrio entre sectores verificado cinco dias antes, nomeadamente as grandes tecnológicas estiveram com um comportamento misto e não com desvalorizações acentuadas. Esse menor ímpeto na primeira sessão da semana acabou por não garantir entusiasmo na terça-feira com os investidores já “vacinados” contra o optimismos das vacinas, até porque se por um lado é uma excelente notícia a possibilidade de haver uma solução robusta para a pandemia, não deixa de ser uma realidade que tal só acontecerá daqui a pelo menos meio ano, na melhor das hipóteses.

E o problema é que entretanto a progressão da pandemia não dá sinais de abrandar, pelo contrário, na Alemanha Angela Merkel não se conteve e avisou que a situação no país continua a ser muito grave, aliás como sucede em vários Estados nos EUA e países na Europa, obrigando os Governos a implementarem soluções de restrição da mobilidade muito similares às de Março, aumentando substancialmente o risco de um duplo fundo na actividade económica, um cenário que por agora parece ser o mais provável e um dos menos desejados desde o início da crise. Os dados das vendas a retalho que saíram nos EUA indiciam isso mesmo, com um crescimento de apenas 0,3%, o mais baixo da era recuperação pós-COVID, que se explica em boa parte pela inexistência de apoios à economia, mais concretamente aos cidadãos, como os $600 por semana, que foi uma das medidas que mais impacto positivo teve na manutenção de níveis mínimos de actividade económica.

Uma das vozes mais incisivas na necessidade de mais estímulos e de um caminho longo de recuperação tem sido o presidente do FED e na terça-feira, de novo, Jerome Powell reforçou a ideia de que não vai ser depressa que a maior economia do mundo vai voltar aos níveis de pré-pandemia, indicando igualmente que os apoios actualmente implementados pelo banco central não devem terminar tão cedo, o que não deixa de ser um pedido para que algumas das medidas que terminam no final do ano sejam renovadas por parte do Congresso e do Tesouro. Tudo somado e na falta de razões para sorrir os touros mantiveram-se afastados de Wall Street, no entanto não é de esperar que os ursos venham a dominar as operações, mas antes poderemos ter uns dias sem grande definição de sentido.

O gráfico de hoje é da Tesla, o time-frame é Semanal

Por muito improvável que pareça a fabricante de automóveis, numa indústria afectada negativamente pela pandemia, é uma das grandes vencedoras dos últimos meses em Wall Street, restando saber se com a inclusão no S&P500, esse trajecto terá mais espaço para andar.

Marco Silva

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