Date: 10 Mai 2019

Tal como referi no início da semana e como tem sido habitual na novela da guerra comercial entre as duas principais economias mundiais, ontem o sentimento sofreu nova reviravolta após o presidente norte-americana ter afirmado que recebeu uma “carta muito bonita” do seu homólogo chinês e que um acordo ainda era possível de alcançar, até porque os intervenientes necessários estavam nos EUA e que iria haver uma conversa telefónica entre os dois presidentes. Isto depois de Trump ter referido na quarta-feira, num comício, que a China tinha “quebrado o acordo”, enquanto ontem disse que as tarifas eram uma excelente alternativa a um acordo, o que agravou as perspectivas dos investidores quanto à entrada em vigor hoje das tarifas alfandegárias de 25% a $200 mil milhões de produtos importados pelos EUA da segunda maior economia.

Antes da esperança criada por Trump os índices norte-americanos chegaram a ceder mais de -1,5%, acabando no entanto por recuperar boa parte das perdas, registando assim cedências que variaram entre os -0.3% do S&P500 e os -0.54% do Dow Jones. Nos sectores do S&P500 os mais afectados pela pressão vendedora foram os mais expostos à China, nomeadamente materiais e tecnológicas, com destaque neste último sector para o grupo dos semicondutores, com o índice SOXX a perder mais -1.2%, condicionado igualmente pelo segundo dia de desvalorização acima dos 5% registada nos títulos da Intel, após a empresa ter reportado um cenário pouco ambicioso para o crescimento das receitas nos próximos três anos.

Do lado menos pessimista estiveram os activos refúgio com as imobiliárias a liderarem nos ganhos ao subirem 0,33%, procura por segurança que se estendeu ao mercado cambial com o Yen a valorizar 0,4% para os 109.72. As praças europeias ficaram “presas” na altura em que Wall Street mais desvalorizou, forçando o STOXX a uma queda de -1.65%, pelo que na abertura da Europa na sessão de hoje é provável alguma recuperação, com vista a reflectir a melhoria verificada nos EUA após a hora do almoço.

O gráfico de hoje é da Alibaba o time-frame é Semanal

A gigante retalhista chinesa atingiu o objectivo para o long que referi em análise anterior (linha azul), tendo logo de seguida efectuado um recuo, dado ser uma zona de resistência a subidas

Marco Silva