Date: 10 Abr 2019

Talvez para quebrar a monotonia dos últimos dias ou quiçá para espantar o nervosismo instalado com a demora nas negociações com a China para o fim do conflito comercial, Trump lembrou-se de novo de mandar uns “piropos” à União Europeia, ameaçando o bloco de tarifas alfandegárias em cerca de $11 biliões de produtos importados pela maior economia do mundo, isto depois da Organização Mundial de Comércio ter julgado que os subsídios à Airbus causam efeitos adversos aos EUA. Ameaça que levou Bruxelas a indicar que responderá em conformidade caso tais tarifas sejam efectivamente impostas, o que agravou o sentimento de cautela dos investidores, já de si pouco dados a entrar no mercado dada a proximidade do início da earnings season.

Igualmente condicionador foi a previsão menos optimista do FMI para a economia mundial, reduzindo as expectativas para o crescimento económico de 3,5% para os 3,3%, ficando assim ao nível mais baixo desde a crise financeira, muito por causa de dois temas geo-políticos, guerra comercial e Brexit. O vermelho foi transversal em todos os principais índices, tanto nos EUA como na Europa, no velho continente o DAX30 liderou nas perdas com quase 1% de recuo enquanto que o pan-europeu Stoxx600 se ficou pelos -0,47% de contracção. Do outro lado do Atlântico o Dow Jones foi mais afectado pela pressão vendedora, de novo por causa do mau desempenho dos títulos da Boeing que cederam -1,46%, após anunciar uma queda nas entregas de aviões devido à situação com os 737 Max, levando o índice industrial a desvalorizar -0.72% contra os -0,61% do S&P500, de notar no entanto a fraqueza ainda mais acentuada nas small caps com o Russel 2000 a recuar -1.22%.

Ao nível dos sectores apenas as utilities e as prestadoras de serviços de comunicações é que escaparam ao vermelho, as primeiras por serem activos refúgio de eleições enquanto que as segundas devido à valorização dos títulos do Facebook, no seguimento da subida do preço alvo para o valor das acções da empresa por parte da Morgan Stanley. No Forex nada de muito relevante a não ser a procura por segurança evidenciada no ganho de valor do Yen, que amealhou 0,3% contra o U.S dólar para os 111.12, no entanto é de esperar que o mercado cambial esteja hoje bem mais activo com a reunião do BCE, as divulgação das minutas da última reunião da FED e as negociações em Bruxelas relativas ao Brexit.

O gráfico de hoje é do Stoxx50, o time-frame é Semanal

O índice pan-europeu encontra-se numa zona importante devido à quebra da linha de resistência (azul), que a aguentar será o ponto de partida para um eventual teste dos máximos de Maio passado.

Marco Silva