Date: 26 Dez 2018

No meio da imprevisibilidade sobre o movimento dos mercados, existem no entanto, algumas regras de “ouro” relativas à reacção dos investidores em relação a um dado evento, uma delas é a de que o pior a fazer numa situação de alguma volatilidade é criar mais ruído, especialmente se for completamente despropositado. Ora, numa fase em que já estava evidente que a força do Bull market de anos anteriores se esgotou em Outubro e depois de algumas sessões demolidoras para o sentimento reinante, as noticias que saíram no fim de semana sobre Trump e o FED, bem como a reunião do secretário do tesouro norte-americano com CEO´s dos seis principais bancos, só extrapolou o nível de incerteza, que como seria expectável resultou em mais uma sessão de fortes quedas deixando desta feita também o S&P500 em território de Bear Market.

Com efeito foi uma combinação explosiva o Tweet de Trump a culpabilizar o FED pelo comportamento negativo do mercado, acusando o banco central de ser o único problema da maior economia do mundo, criticas que resultaram igualmente num rumor de que o presidente norte-americano pretendia despedir Jerome Powell à frente da instituição. Destruir a credibilidade da política do maior banco central do mundo e beliscar a sua independência é outra das regras de ouro do que nunca se deve fazer, a menos que se queira uma quase certa reacção negativa de Wall Street. Igualmente nefasta foi a reunião pedida por Steven Mnuchin com os principais players do sistema financeiro dos EUA, a fazer lembrar a celebre reunião de Henry Paulson no auge da crise financeira de 2008, isto porque tal como foi referido pelos responsáveis presentes o sistema presentemente não tem qualquer problema de liquidez, só que num mercado tremido o mal estava feito, visto que o pensamento dos investidores foi, “o que é que se passa que não sabemos”.

No final do dia e com a continuação do shutdown parcial do governo norte-americano a agravar o sentimento o cenário foi inequívoco, perdas entre os -2,21% e os -2.91% para os principais índices, com a pior sessão na véspera de Natal da história do S&P500. Curiosamente num dia de vermelho tão carregado o sector que mais cedeu terreno foi o das utilities, um activo que tem sido procurado para o o refúgio, com uma queda de -4.26%. Por outro lado brilharam os restantes activos mais “seguros” como o Yen que valorizou 0,8% para os 110.40 e o Ouro que ultimamente reentrou nesta classe de activos, com um ganho de 1,2% para máximos de 6 meses nos $1,272 por onça. Esta preferência recente pelo metal precioso é mais um indicio de que o ciclo ascendente do mercado accionista pode ter terminado por agora.

O gráfico de hoje é do Ouro, o time-frame é Semanal

Dentro de um canal ascendente o Ouro tem agora a linha superior do mesmo como resistência de médio-prazo

Marco Silva

 

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