Análises de Mercado

Touros voltam ao ataque em Wall Street

Tal como indiquei anteriormente o montante do pacote de estímulos, proposto por Joe Biden, a ser aprovado pelo Congresso dos EUA não deverá ser a totalidade dos $1,9 biliões, desde logo porque existem alguns pontos no documento com que alguns Senadores Democratas não concordam, como por exemplo a subida do ordenado mínimo para os $15 por hora, uma subida substancial em relação aos $7,5 por hora que são o mínimo num emprego federal. Neste fim de semana essa intenção de Biden ficou mais longe de acontecer, para já, com o próprio presidente a admitir que a subida do valor não deverá ser incluída nesta primeira fase de estímulos, referindo no entanto que é um tema importante para a sua política no médio prazo. Mas se não vai ser o bolo todo, qual será o nível de oxigénio que a maior economia do mundo vai receber? A Goldman Sachs estima que serão $1,5 biliões, um montante bem acima dos $1,1 biliões que era a estimativa anterior do banco de investimentos, o que levou igualmente à subida da previsão do crescimento do PIB dos EUA em 0,2% para 2021 e 2022, prefazendo agora uma subida de 6,8% e 4,5% respectivamente.

Mas independentemente do montante poder ser inferior ao valor máximo, o certo é que os investidores não desmoralizaram, pelo contrário, ganhando força com as declarações de Janet Yellen, que apontou para uma forte recuperação do mercado de trabalho, referindo mesmo que é possível atingir o pleno emprego já em 2022, caso o projecto de Biden seja aprovado. Um bálsamo no optimismo muito apreciado pelos Touros, que não deixaram de aproveitar a oportunidade de puxar pelos índices até novos máximos históricos, depois dos números dos non-farm payrolls de sexta-feira, que revelaram um mercado laboral ainda muito fraco. Contudo os ganhos não foram iguais, e de novo tal como tem sido habitual nas últimas semanas, as empresas de pequena e média dimensão foram as preferidas dos investidores, o que permitiu ao Russell 2000 uma valorização de 2,53%, bem acima dos 0,74% de ganho registados pelos S&P500.

Esta desigualdade no andamento dos índices deve-se ao que tem sido designado como o trade de “reinflação”, ou seja do regresso da inflação ao cenário econômico depois de um período prolongado em que existiu um crescimento de preços significativamente abaixo do nível dos 2%, que é o objectivo de estabilidade de preços constante na estratégia dos principais bancos centrais. A subida da inflação resulta de um crescimento dos preços dos produtos e serviços, bem como dos ordenados, o que normalmente gera mais margens de lucros e um crescimento mais robusto do PIB. Um aquecimento da economia que os investidores estão à espera devido à avalanche de estímulos fiscais que deverão ser aprovados este mês, mais o que poderá chegar até ao final do ano, dado que Joe Biden já deixou claro que este primeiro pacote é apenas uma medida de emergência e que depois irá querer focar o seu esforço na sua política de crescimento económico de médio prazo, onde se inclui um forte investimento em infraestruturas.

No mercado das matérias-primas, a perspectiva de um regresso à normalidade da actividade económica continua a beneficiar o preço do petróleo, com o Brent a registar ontem os $60,60 por barril após uma subida de 2,2%.

O gráfico de hoje é do Russell 2000, o time-frame é Semanal

O índice das small-caps está imparável e depois de uma ligeira consolidação no nível dos 261,8%, está de novo em movimento ascendente rumo aos 361,8%.

Marco Silva

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