Análises de Mercado

Touros voltam à carga com acalmia nas obrigações

Depois de um período de correcção que limpou cerca de $1 trilião ao valor de Wall Street, com a volatilidade a emergir em força no final de Fevereiro, os índices norte-americanos voltaram a brilhar no início desta semana devido a uma conjugação de factores positivos que podem ter despoletado mais uma perna do Bull Market. Os números são avassaladores, independentemente da consolidação recente com os ganhos de segunda-feira o S&P500 regista perto de 75% de valorização desde os mínimos de Março de 2020, um desempenho impensável há um ano quando o mundo acordava para uma pandemia que prometia disromper o dia a dia da civilização, tal como a conhecemos, obrigando a medidas nunca antes tomadas sem ser em periodo de guerra, o que na realidade validou de novo o lema de que em todas as crises há oportunidades que brotam das dificuldades.

Com efeito as medidas de quarentena deram azo a novos negócios e ao fomento acentuado de outros que demoravam em ganhar tração, com a quase totalidade dos benefícios a caírem no sector tecnológico, daí que este tenha sido o que mais valorizou no periodo pós choque de COVID, pelo menos até Novembro, altura em que as vacinas deram um novo alento ao mercado, com os sectores tradicionais a deixarem de ser o “patinho feito” do mercado. No início deste ano, a conquista da maioria do congresso por parte dos Democratas foi um novo balão de oxigénio a um mercado que estava a acusar algum cansaço, devido às avaliações ricas das empresas, bem como à incerteza na aprovação de mais estímulos para a maior economia do mundo.

Nas últimas semanas o disco virou e com o desenrolar normal do processo de aprovação de um mega pacote de auxílio à economia, na linha do proposto por Joe Biden, o ruído de mercado começou a concentrar-se no dia depois, ou melhor nos últimos dois semestres deste ano, altura em que os investidores antecipam um crescimento económico robusto auxiliado pela reabertura da economia, uma vez que a imunização de grupo já deverá ter sido atingida nas principais economias. E o principal ponto do sentimento reside exactamente no grau de robustez com que a economia vai dar o salto, com uma parte dos gestores a terem uma posição mais cautelosa visto que um sobreaquecimento da inflação poderá obrigar o FED a cortar o tão desejado cordão umbilical aos estímulos, que têm sido o principal sustento dos Touros nos anos recentes.

Mas independentemente da volatilidade que se registou nas obrigações, com os juros das maturidades mais longas a subirem para valores pré-COVID, o certo é que a liquidez continua a ser o interveniente com mais força e isso ficou patente no facto de Fevereiro ter sido o melhor mês de sempre, de injecção de capital nos ETF´s ligados ao mercado accionista, com $85,5 biliões, acima do anterior máximo de $80 biliões, registado em Novembro último.

Nas próximas sessões iremos confirmar se o entusiasmo dos Touros é real ou se foi apenas um tiro de partida para o novo mês, sendo que segunda-feira acabou por ser o melhor desempenho do S&P500 nos últimos nove meses e onde os ganhos foram transversais a todos os sectores, num dia em que o U.S dólar pouca influência teve ao ceder apenas -0.1% contra um cabaz de outras moedas principais.

O gráfico de hoje é do Brent, o time-frame é Semanal

Depois de na semana passada ter quebrado em alta a linha superior do canal, é esperado um teste a essa mesma quebra.

Marco Silva

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