Date: 27 Jul 2020

Se os últimos dois dias da semana passada foram apenas um fim de semana antecipado e prolongado para os Touros de Wall Street, ou algo mais duradouro, só os próximos dias irão tirar as dúvidas, até porque a situação corrente nos mercados é de tal forma volátil que antecipar movimentos com mais de alguns dias é uma tarefa herculeana, para além de existir uma clara tendência bullish, mas que pode dar aqui e acolá espaço para uma queda mais acentuada. As razões para o pessimismo na sexta-feira incluíram a já habitual preocupação com a propagação da pandemia de COVID-19 nos EUA e uma eventual necessidade de novas quarentenas em algumas zonas populosas. A retórica de quezília entre os EUA e a China subiu de tom com o país asiático a ordenar o encerramento do consulado norte-americano em Chengdu, em retaliação pelo fecho do consulado chinês em Houston, não foi nada de extraordinário, contudo dá indícios de que o tema da guerra comercial poderá ser de novo dominante quanto mais próximos estiverem as eleições presidenciais, visto que é um “trunfo” que Trump utiliza para galvanizar o seu eleitorado.

Ao nível fundamental o aviso da Intel sobre um atraso na produção fez estragos consideráveis no sector tecnológico, com o Nasdaq a perder mais que os restantes índices, mas também pesou no Dow Jones, com uma desvalorização de -16,2% nos títulos da mítica fabricante de chips que entretanto foi ligeiramente amenizada pelo ganho de 1,72% registada pela Verizon, após apresentar resultados trimestrais acima do esperado. Mas se as perdas na ordem dos -0,65% em Wall Street podem parecer um dia normal, o registo é mais interessante do que pode parecer, isto porque é um deslize que ocorreu no mercado accionista num dia em que o U.S dólar também cedeu muito terreno, -0,6% para o mínimo de seis meses, quando uma queda na moeda dos EUA costuma dar azo a valorizações positivas nas acções, ou seja a fraqueza relativa foi maior do que os números revelam à primeira vista.

Mas quem não está fraco é o Ouro, esse sim a aproveitar a boleia da trajetória descendente do U.S dólar que perde esta segunda-feira mais -0,7%, dando o impulso necessário para que o metal precioso atinja um novo máximo histórico nos $1,935 por onça com um ganho de 1,7%. Para esta semana há que ter em atenção a reunião do FED, de onde poderão sair alguns indícios de uma posição ainda mais acomodativa nos próximos meses, algo que está a condicionar negativamente o U.S dólar por antecipação. No campo económico temos os números do PIB dos EUA na quinta-feira enquanto que na componente empresarial três pesos pesados do mercado vão divulgar os seus resultados, Apple, Amazon e Google.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Semanal

Caso quebre em alta a zona de resistência que referi anteriormente nos $1,184, este par de moedas só tem nos $1,243 outra zona de resistência técnica, portanto bastante espaço para “correr”.

Marco Silva

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