Análises de Mercado

Touros sem pressa para entrar nesta semana decisiva

Depois de uma semana que terminou com novos máximos históricos em todos os índices norte-americanos principais, os investidores entraram para o novo ciclo de cinco dias de negociações com menor entusiasmo, tal como se pode confirmar desde logo pelo volume que ficou cerca de 10% abaixo da média dos últimos vinte dias. Mas para além de menos transações Wall Street fechou a primeira sessão desta semana sem sentido definido e com sortes distintas, com o tecnológico Nasdaq a conseguir averbar um ganho ligeiro enquanto Dow Jones e S&P500 se ficaram por perdas também elas sem grande expressão, naquilo que foi um movimento inverso à tendência que se instalou logo após o anúncio da primeira vacina contra o COVID-19, por parte da Pfizer, com as empresas ligadas à retoma da actividade económica a levarem vantagem em relação às denominadas empresas de “ficar em casa”, onde as grandes tecnológicas se enquadram.

Mas segunda-feira e com uma semana pela frente com alguns eventos decisivos, o sentimento foi mais de cautela e alguma rotação de capital de volta para as empresas que menos valorizações tiveram nos últimos dias, com uma notícia de mercado a fazer-se notar, refiro-me à possibilidade da Apple introduzir novos processadores no inicio de 2021, que irão rivalizar com os mais rápidos da Intel, sendo o objetivo de suplantar mesmo o melhor que a histórica fabricante de processadores consegue fazer, o que causou um rombo de -3,43% na Intel, empurrando o título para o pior desempenho no Dow Jones. De resto o terreno não é propício a grande risco, isto porque na quinta-feira é a reunião da FDA que poderá ditar a aprovação de emergência da vacina da Pfizer, o que a ser uma realidade poderá colocar o início da campanha de vacinação apenas 24 horas após essa autorização, o que seria certamente um catalisador para aliviar as incertezas de médio-prazo, quanto à capacidade de conter a pandemia, numa altura em que a propagação do COVID nos EUA volta a atingir níveis preocupantes, nomeadamente em Estados muito populosos como a Califórnia e Nova Iorque.

Ainda esta semana e na sexta-feira é o limite para a aprovação do orçamento federal norte-americano, que poderá dar lugar a um orçamento temporário de uma semana, para que os políticos no Congresso se entendam finalmente quanto ao pacote de estímulos a aprovar para a maior economia do mundo, havendo indicações que tanto o líder dos Republicanos no Senado como a líder dos Democratas na Casa dos Representantes, são a favor do bolo de aproximadamente $900 mil milhões incluídos na proposta apresentada recentemente por um movimento bipartidário, ou seja para além do orçamento federal haveria igualmente o tão desejado auxílio à economia e aos cidadãos, algo que o mercado inclui nas suas avaliações como sendo quase certo para este ano, o que coloca o risco de uma correcção acentuada caso assim não seja.

Por fim a saga do Brexit também condiciona o panorama, tendo ontem sido responsável pela queda de -0,4% no valor da libra inglesa dada a falta de visibilidade quanto à possibilidade de um acordo a poucos dias de se atingir a data limite para um Brexit “duro”.

O gráfico de hoje é do EURUSD, o time-frame é de 4 horas

De novo a quebra em alta de um canal foi um indício de uma inversão do sentido, recolocando o principal par de moedas dentro do canal ascendente, mas ainda com alguma tendência negativa até à sua linha inferior.

Marco Silva

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