Análises de Mercado

Touros fazem pausa para recarregar baterias

Depois de seis sessões a subir os investidores decidiram fazer uma pausa no optimismo e o S&P500 registou uma ligeira descida, mas que tal como ocorreu com o Dow Jones foi uma queda que se insere num cenário de consolidação e não de correção, enquanto que o Nasdaq teve capacidade para se aguentar acima da linha de água, beneficiando das valorizações dos títulos do Facebook e Microsoft, que auxiliaram o índice tecnológico a compensar as perdas que se verificaram nos outros pesos pesados, Google, Amazon e Apple. Isto numa sessão onde tal como tem sido evidente nas últimas semanas a rotação de capital para as empresas de pequena e média dimensão foi um dado importante a reter, depois de nos meses seguintes ao início da crise COVID, as grandes tecnológicas terem dominado nas subidas, nos últimos dois meses a preferência dos investidores têm sido marcada por uma viragem para os títulos que melhor representam a economia tradicional, e que poderão beneficiar do regresso da actividade económica à normalidade, ainda que de forma gradual e com muitas incógnitas à mistura, como o andamento do processo de vacinação nas principais economias do mundo.

Mas se o pessimismo está bem longe do radar do mercado, o certo é que as avaliações são uma fonte de preocupação, desde logo porque não obstante a época de resultados referentes ao último trimestre de 2020 estar a ser manifestamente melhor do que o antecipado, com 83% das empresas do S&P500 que já reportaram resultados a baterem as expectativas, os múltiplos de mercado estão em níveis pouco convidativos, com os investidores a contar já com as consequências positivas do gigantesco pacote de estímulos que será aprovado em breve pelo Congresso dos EUA, ao que se deverá somar uma política económica expansionista, liderada pelo presidente Joe Biden. Ou seja tal como é habitual o mercado está já a antecipar nos seus portfólios as ocorrências previstas para os próximos seis a nove meses, daí que será bastante importante ser cauteloso aquando da efectivação da aprovação dos estímulos pois poderá muito bem ocorrer mais uma validação do lema de “comprar no rumor e vender na notícia”.

No entanto e mesmo que a correção se concretize não é de esperar um movimento significativo, uma vez que os principais fundamentos que sustentam os avaliações elevadas continuarão, juros baixos e mais dinheiro injectado pelo FED. E esse é o ponto principal em cima da mesa para os próximos meses, como irá o FED reagir à subida da inflação, que muitos receiam possa ser brusca e para um nível bem superior aos 2%, o que provocaria uma subida acentuada dos juros e por consequência uma redução significativa da mentalidade bullish por parte dos investidores, dado que dificilmente o banco central norte-americano poderá aguentar muito tempo até que comece a falar em normalizar a sua política monetária.

Mas enquanto esse tempo não chega os touros ainda têm razões para sorrir, até porque o U.S dólar não dá para já sinais de querer recuperar da desvalorização que tem sofrido desde Março de 2020, tendo recuando ontem mais 0,5% contra um cabaz de outras moedas principais.

O gráfico de hoje é do Euro Stoxx50, o time-frame é Semanal

O índice das principais empresas europeias está claramente mais fraco que os seus congéneres norte-americanos, não tendo sequer conseguido ultrapassar os máximos pré-COVID.

Marco Silva

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