Análises de Mercado

Terá o Pai Natal de Wall Street começado a sua viagem?

Um dia depois do Colégio Eleitoral ter confirmado Joe Biden como o próximo inquilino da Casa Branca, e de um grupo bipartidário de políticos do Congresso dos EUA ter apresentado nova proposta para um pacote de auxílio à maior economia do mundo, os Touros de Wall Street engataram uma mudança mais alta e puxaram pelos índices norte-americanos, deixando o Nasdaq com um novo máximo histórico, em boa parte devido ao desempenho dos títulos da Apple, que com uma valorização de 5,01% não só liderou os ganhos no Dow Jones como puxou pelo sector da tecnologia de uma forma geral, sendo no entanto de destacar que a principal nota da sessão foi a subida de 2,4% do Russell 2000, bem acima dos três principais índices e um sinal de que a pressão compradora foi generalizada e não concentrada nas grandes empresas, que têm sido as grandes responsáveis pelo registo tão positivo nos últimos meses.

De facto o ano que está a terminar será certamente recordado pelos piores motivos por uns e pelos melhores por outros, nunca o mercado caiu tão rápido e nunca recuperou e se superou tão depressa, não olhando a questões como avaliações das empresas ou o facto incontornável da forte contracção económica nas principais economias ocidentais. Numa análise pragmática a pandemia de COVID-19 foi o impulso decisivo para a introdução da disrupção tecnológica há muito prometida mas nunca implementada, ficando no entanto por se aferir se a mudança veio para ficar ou melhor em que estágio ficará, dado que a vida não será certamente a mesma de há um ano atrás, seja a dos cidadãos ou a das empresas, estas últimas que terão de se adaptar a um mundo mais propenso e capacitado para o comércio electrónico, disso faz prova as valorizações estratosféricas de alguns nomes do sector, como a canadiana Shopify, a argentina Marcado Libre, que de um momento para o outro são colossos com capitalizações de $120 biliões e $80 biliões respectivamente, com ambas a triplicarem de valor a seguir aos mínimos de Março.

Isto claro para não falar dos 70% de ganho da Amazon este ano, um número que já seria exceptional em qualquer situação, mas ainda mais extraordinário quando está em causa uma empresa de $1,6 triliões. Contudo o bom momento de Wall Street pode não ficar por aqui e terça-feira poderá ter marcado o inicio do tradicional “Santa rally”, até porque como já referi anteriormente há uma montanha de liquidez que precisa de entrar no mercado e indirectamente os pacotes de estímulos acabam em parte nas empresas cotadas o que deixa antever uma maior probabilidade do Bull market continuar a existir em vez de uma correção.

E o que continua a corrigir é o U.S dólar, ontem mais 0,5% de perda de valor face a um cabaz de moedas principais, o que indirectamente auxiliou o mercado accionista a subir. Esta tendência descendente da moeda mais influente no globo pode não ficar por aqui, caso hoje Jerome Powell anuncie mais medidas do FED que coloquem a máquina de imprimir dinheiro a funcionar.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Mensal

Depois do teste à linha inferior do canal em 2018, este par de moeda está perto de o ir testar de novo, uma zona a ter em conta.

Marco Silva

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