Análises de Mercado

Teoria de inversão regressa a Wall Street

Tal como referi na análise anterior era bastante provável que caso os dados dos non-farm payrolls fossem de novo uma desilusão, depois de no mês passado ter havido uma forte redução do número de postos de trabalho existentes pela primeira vez nos últimos 8 meses, isso iria dar mais força para que o Congresso dos EUA viesse a acelerar o processo de aprovação do pacote de estímulos de $1,9 triliões. Ora foi exactamente isso que aconteceu, e não obstante em Janeiro ter havido de novo criação de emprego, o certo é que os números de Dezembro foram revistos em baixa, para 225,000 empregos perdidos, enquanto que os 49,000 novos postos de trabalho de Janeiro ficaram muito aquém dos 140,000 antecipados, facto que reforçou imediatamente o sentimento sobre a urgência da necessidade de colocar mais oxigênio na maior economia do mundo, que está ainda com um déficit laboral de 9,9 milhões de empregos em relação aos níveis pré-COVID.

E como a melhor notícia para os touros neste momento é mais liquidez, não foi de estranhar que os índices tivessem reagido positivamente à notícia negativa, reavivando a teoria de inversão, ou seja quando “más notícias geram boas sessões” para Wall Street, um mote que foi bastante comum nos últimos tempos pré-COVID, quando as más notícias de índole económica davam força aos investidores para colocar mais risco em cima da mesa, devido à maior probabilidade do FED reforçar a sua já gigantesca bolha de liquidez, que empurrou o seu balanço para o máximo de sempre e superior a qualquer outro banco central, isto depois de um curto período em que o mesmo foi reduzido em $700 biliões.

Do lado político as notícias também foram positivas com os Democratas no Senado a fazerem valer a sua maioria, via Vice-Presidente Kamala Harris, que com o seu voto de qualidade fez aprovar o texto para um diploma que terá a finalidade de excepcionalmente alterar os parâmetros do Orçamento, ficando agora a Câmara dos Representantes de igualar os termos do definido pelo Senado para então depois o novo pacote de estímulos poder ver a luz do dia, sendo que o montante poderá ficar abaixo do tecto indicado inicialmente devido a desentendimentos no seio do partido Democrata quanto a todos os pontos do documento, contudo será certamente um valor bem superior ao proposto pelos Republicanos.

Com a perspectiva de mais estímulos, desta vez fiscais e não monetários, o U.S dólar cedeu algum terreno recuando -0.5% contra um cabaz de outras moedas principais, permitindo ao euro recuperar 0,7% das perdas recentes, para os $1.2042.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

O principal par de moedas está num canal descendente, contudo o facto de não ter ido testar a linha inferior e estar próximo de testar de novo a linha superior é um indício bullish.

Marco Silva

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