Análises de Mercado

Tensões comerciais e emprego condicionam sentimento

Tal como referi no inicio da semana era provável que nos próximos tempos o tema da guerra comercial comece a ter mais relevância no ruído de Wall Street, uma vez que nos aproximamos das presidenciais de Novembro e que esse é um tópico que Trump utiliza para galvanizar o seu eleitorado. O últimos dos desenvolvimentos nessa frente é a ameaça que o presidente norte-americano está a efectuar no sentido de banir as gigantes chinesas TikTok, a braços com uma oferta de aquisição por parte da Microsoft, e Wechat da maior economia do mundo, uma medida que já teve da parte contrária uma resposta, com as autoridades de Pequim a referir que as empresas em questão respeitam as regras dos EUA e que um restrição dessa magnitude iria ter consequências que Trump tem de ter em consideração. Seja como for e independentemente de boa parte ser retórica de ambos os lados o certo é que consolida a instabilidade que existe há algum tempo entre os dois colossos mundiais e que não deve acalmar nos próximos meses, antes pelo contrário.

Ao nível das notícias de índole fundamental os dados dos non-farm payrolls apesar de não serem maus não permitiram grandes melhorias no sentimento, uma vez que não obstante os 1.763 milhões de novos postos criados, acima dos 1,6 milhões antecipados, esse valor é muito inferior aos 4.791 milhões acrescentados no mês de Junho e deixa o nível de emprego muito abaixo da média pré-crise de COVID-19, com menos 12,9 milhões de empregos para um máximo de 152,5 milhões atingidos em Fevereiro. Em termos de sectores a componente de turismo, bares e restaurantes foi a que mais trabalho criou devido à abertura gradual de vários negócios em diversos dos Estados principais, se bem que esse panorama poderá vir a ser invertido já este mês com o aumento substancial de casos em algumas das zonas mais populosas dos EUA, o que poderá obrigar a um regresso da quarentena, embora que localizada.

Tudo somado e com o fim de semana à porta, os investidores não estão com grande entusiasmo, deixando os índices à deriva perto do inalterado, com realce no entanto para o bom comportamento das small caps, com o Russell 2000 a valorizar quase 1%, enquanto que no mercado cambial o dia é também de acalmia nos principais pares de moedas, sendo no entanto de destacar a queda de -2.3% verificada na Lira Turca para os 7.2253 por dólar. Quem continua imparável é o Ouro, que amealha hoje mais 1,2% para os $2,061 por onça, estando a próxima resistência técnica perto dos $2,450 por onça, tal como referi em análise anterior.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Mensal

Depois de ter quebrado em alta o canal descendente (laranja), o par de moedas tem como zona de resistência o duplo topo (azul) efectuado em Fevereiro de 2018.

Marco Silva

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