Date: 29 Out 2018

Tal como referi possível na análise anterior o sentimento de sexta-feira em Wall Street veio mesmo a ser condicionado pelos resultados menos positivos dos pesos pesados Amazon e Google, que não obstante terem gerado mais lucros do que os analistas previram para o terceiro trimestre, falharam no campo das receitas, o que noutra altura poderia ser menosprezado, desta feita com o receio existente quanto a um possível pico dos earnings, sobre as consequências da guerra comercial e da subida dos juros, fez toda a diferença. A forte queda de quase -8% nos títulos da gigante retalhista, a mais afectada pela pressão vendedora, empurrou não apenas o Nasdaq para a maior desvalorização do dia com uma perda de -2.06%, mas igualmente o sector do retalho de produtos não essenciais do S&P500, que cedeu -3.55%, registando assim o pior desempenho da sessão.

Com um pouco mais de 10 biliões de transacções efectuadas nas bolsas norte-americanas, bem acima da média de 8,3 biliões dos últimos 20 dias, o vermelho foi transversal, bem mais do que na quarta-feira e nem os sectores refúgio escaparam, com todos os grupos que compõem o S&P500 a cederem terreno na sexta-feira. As energéticas foram das menos castigadas com a pressão vendedora, beneficiando da subida de 0,7% no preço do crude que elevou o WTI para os $67.80 por barril. O pessimismo que se abateu em Wall Street ignorou quase por completo os poucos, mas bons dados que saíram sobre a economia norte-americana, nomeadamente o facto de ter crescido 3,5% no terceiro trimestre, acima dos 3,4% esperados, e de que o personal consumption expenditures (PCE) index, o indicador de inflação preferido pelo FED ter saido nos 1,6%, bem abaixo dos 2,2% antecipados, o que reduz um pouco a necessidade de um movimento mais hawkish por parte do banco central.

Importante também o facto do consumo nos EUA, que equivale a cerca de 2/3 da actividade económica ter crescido 4%, ao ritmo mais elevado dos últimos 4 anos. Se no mercado accionista a procura por activos refúgio não foi notada, nos outros activos foi evidente, desde logo no activo de excelência no Forex, o Yen, que amealhou 0,6% para os 111.77, numa sessão em que o U.S dólar cedeu -0.3% depois de ter atingido o valor máximo de quase ano e meio.

Para hoje há que contar com a notícia de ontem sobre a aquisição da Red Hat por parte da IBM pela quantia de $34 biliões, o que poderá gerar um sentimento de merger Monday e dar algum alivio ao mercado. Já para as próximas duas semanas a decisão dos investidores será entre segurar os indices em território de correcção ou empurrar os mesmos para um Bear market, ou seja com uma correcção na ordem dos 20%.

O gráfico de hoje é do Footsie, o time-frame é Semanal

O índice inglês quebrou recentemente a linha de suporte de longo prazo (verde), pelo que caso a mesma não seja reconquistada pelos Bulls, poderá indiciar uma correcção maior a prazo

Marco Silva

 

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