Análises de Mercado

Tecnológicas voltam à ribalta, com pesos pesados em destaque

Na abertura de mais uma semana o disco virou para a música das tecnológicas, com o Nasdaq a valorizar 1,23% ou seja mais 1% que o Dow Jones, depois do índice industrial ter batido o tecnológico na semana passada, em virtude da rotação de capital para empresas da economia tradicional e com avaliações mais modestas, saindo dos sectores que maior price earnings ratio têm. Este movimento sobre o qual tenho escrito amiúde está correlacionado com a oscilação das taxas de juro das obrigações soberanas dos EUA, nomeadamente a dívida com maturidade a 10 anos, que aliviou para menos de 1,7% depois de na quinta-feira passada ter ultrapassado os 1,75%, assustando os investidores que estão preocupados com a escalada dos juros, uma vez que no início do ano estas obrigações por exemplo estavam a pagar 0,91%, tendo atingido um mínimo em Agosto do ano passado nos 0,51%.

Apesar dos valores poderem não parecer fora do normal em termos relativos, estamos a falar de um nível actual que é maior do que o triplo dos mínimos e caminha para o dobro do registado no início de 2021, o que é sem dúvida muito relevante para as estrutura de mercado, concretamente na alocação de capital, dado que com os juros extraordinariamente baixos as obrigações perderam quase na totalidade o seu valor como investimento, o que empurrou capital para outros mercados com maior risco, mas que no médio-longo prazo também apresenta maior rendimento. Com a subida dos juros para um valor acima da média do dividend yield do S&P500, um patamar psicológico e técnico importante, o paradigma alterou-se, daí que nos últimos meses tem sido recorrente os episódios de rotação de capital, que numa primeira fase privilegiou as small caps na generalidade, mas que agora se foca no investimento nas industriais e financeiras.

O sector financeiro é aliás um dos que melhor comportamento regista nos últimos três meses, atrás apenas das energéticas, o que é justificado pelo benefício que a banca recolhe com um aumento dos juros, visto que melhora substancialmente a sua margem operacional.

No mercado cambial o dia foi de acalmia para a corrida ascendente do U.S dólar, permitindo ao Euro um ganho de 0.3%, enquanto que as outras moedas principais ficaram praticamente inalteradas contra o greenback, num dia em que o destaque vai para a Lira turca, que afundou 7%, depois do presidente turco Recep Tayyip Erdogan ter mudado o Governador do banco central local, o que acontece pela terceira vez nos últimos dois anos, uma instabilidade que está a causar nervosismo no mercado.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

O principal par de moedas está num canal descendente que poderá condicionar o activo no curto-prazo.

Marco Silva

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