Análises de Mercado

Será desta que haverá festa para os Touros?

Não é certamente novidade uma quebra de resistência em altura de férias, mas é curioso que o S&P500 esteja a milímetros de novos máximos históricos de fecho quando o volume caiu ontem para os 9,38 biliões de negócios, ou seja para valores de pré-crise COVID-19, cerca de 10% menos do que a média dos últimos vinte dias de negociação que ronda as 10,23 biliões de transacções por sessão, valor este que já de si é bem menor que as médias dos meses mais movimentados deste ano que se situaram acima dos 15 biliões. Caso o tecto no principal índice mundial seja quebrado isso será um momento importante, dadas todas as condicionantes económicas e de mercado existentes, o que validará mais uma vez a ideia de que a liquidez é por agora mais forte que a solidez nos resultados, mas mais importante que o comportamento dos índices norte-americanos como um todo é fundamental analisar as movimentações dos títulos dentro dos cabazes de acções.

Já tenho referido o facto de Wall Street estar a ser conduzida pelas grandes empresas tecnológicas, com o Nasdaq a ser inquestionavelmente mais forte, especialmente nos últimos meses, e com apenas uma mão cheia de empresas a pesarem mais de 20% do S&P500. Nas valorizações os números são igualmente inequívocos, desde o inicio do ano até finais de Julho, a subida média do grupo maravilha, Apple, Google, Facebook, Microsoft e Amazon era de 35%, enquanto que as restantes 495 empresas do S&P500 registaram uma perda média de -5%. Nas últimas semanas tem sido habitual alguns dias de rotação de capital, como aconteceu entre a passada sexta-feira e terça-feira, contudo o som rapidamente volta ao mesmo que tem dominado a música dos mercados na era COVID, na quarta-feira foi mais uma sessão em que as tecnológicas deixaram a concorrência a uma boa distância, seja nos índices, como nos sectores, sendo de realçar o contributo dado pelos títulos da Tesla, que valorizaram 13,1%, isto claro para além dos ganhos alcançados pela Microsoft, Amazon e Apple.

Para hoje e com o impasse a manter-se no tema do próximo pacote de auxílio à economia dos EUA, com as duas partes das negociações, Democratas e Republicanos, a nem sequer darem inicio a uma nova ronda de trabalhos, os investidores estão mais concentrados nos dados sobre os pedidos de desemprego, que sairam ligeiramente melhores que o esperado, com 963,000 novos pedidos contra os 1,1 milhões antecipados, enquanto nas “continuous claims”, que dão um panorama mais abrangente da recuperação do mercado de trabalho, o número também foi positivo, se bem que por uma margem reduzida, com 15,486 milhões versus os 15,8 milhões estimados, mantendo em banho maria a retoma do principal motor da economia.

A reacção aos dados do desemprego foi pouco significativa dando espaço a uma abertura de Wall Street perto do nível de inalterado. Quem não está parado é o U.S dólar, que nesta quinta-feira perde mais -0,3%, invalidando a possibilidade do duplo topo que referi anteriormente no EUR/USD e estando este par de moedas a caminho de quebrar os máximos da semana passada.

O gráfico de hoje é do Nasdaq, o time-frame é Semanal

Apesar de imparável o índice tecnológico está numa fase sensível a nível técnico, visto que quebrou em alta o canal ascendente, um movimento que geralmente antecipa uma correção.

Marco Silva

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