Análises de Mercado

Rotação de capital empurra Wall Street para o vermelho

A rotação de capital é um movimento comum, mas não é todo igual, provocando resultados diferentes nos índices conforme os sectores que estão a ser preteridos em relação a outros. Por exemplo no início do ano a entrada de capital nas small caps, por troca com o sector tecnológico, funcionou como um fomentador da subida do mercado, até porque foi acompanhado por uma rotação de capital dentro do espaço tecnológico, com as empresas de semicondutores a serem claramente beneficiadas, ao passo que as ligadas aos serviços estiveram uns furos abaixo, mas sem comprometer a caminhada ascendente. Nos últimos dias, no entanto, o panorama tem sido diferente e o andamento de Wall Street tem-se ressentido com um período de consolidação, que apesar de algum vermelho não resvala para oscilações significativas, recuperando durante a sessão mesmo que a abertura seja em fraqueza, tal como ocorreu quarta e quinta-feira.

Ora a diferença entre o desempenho nas rotações de capital que referi, tem a ver com o facto de recentemente os sectores beneficiados serem empresas que por agora têm pouca expressão de capitalização em relação às grandes tecnológicas, como industriais, financeiras e turismo, sectores que também irão beneficiar da retoma económica esperada para este ano, e em particular dos estímulos que em breve serão aprovados pelo Congresso dos EUA, uma vez que o pacote de apoio tem uma componente bastante vincada de apoio ao consumidor, como por exemplo os cheques de $1,400 que darão um impulso significativo ao poder de compra de curto prazo e que se espera puxem pela inflação, o principal suporte para os ganhos na banca. E como o capital está a sair dos grandes players do mercado, bem como dos semicondutores e das small caps em geral, o resultado final é como referi de vermelho, mas nada de relevante.

Resumindo, o sentimento navega agora por um caminho muito próprio, consolidação através de rotação e nem as notícias económicas têm mexido com as bases da confiança que os investidores depositam nos efeitos positivos dos estímulos que aí vêm, assim como da capacidade de controlar a pandemia, agora que o processo de vacinação começa a ganhar momentum e o inverno está a terminar, o que tudo somado se conjuga para que este confinamento tenha sido o último, podendo agora os governos concentrarem-se na recuperação económica, que nos EUA deverá ser com um apoio que não deixe ninguém para trás e que seja significativo, tal como referiu de novo ontem Janet Yellen, um pouco dentro da perspectiva de fazer por excesso para não deixar qualquer dúvida que possa minar a confiança, tal como aconteceu na resolução do problema da crise financeira, quando o governo dos EUA deixou claro que não ia deixar o sistema financeiro cair, da mesma forma que o momento marcante da resolução da recente crise europeia deu-se quando Mario Draghi indicou que o BCE faria “tudo o que fosse necessário”.

No mercado cambial, o U.S dólar cede hoje um pouco de terreno e recua -0.3% contra um cabaz de outras moedas principais, o que a manter-se dará um impulso positivo ao mercado accionista.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 4 horas

Como referi na análise anterior a zona dos 3,880 deveria ser um local de suporte expectável, uma vez que são os mínimos da onda anterior, e foi exactamente esse nível que serviu de barreira às quedas na sessão de ontem, no entanto para afastar a possibilidade de uma correcção mais significativa no curto-prazo o activo tem de quebrar o máximo da terceira onda.

Marco Silva

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