Análises de Mercado

Rotação de capital domina o dia em Wall Street

Com a incerteza quanto ao resultado final das eleições na Georgia para o senado dos EUA, os investidores estão a privilegiar a rotação de capital, numa tentativa de aproveitar a probabilidade de uma maioria Democrata em todos os centros de decisão, tendo em conta que tal traria quase certamente um novo pacote de estímulos, que a Goldman Sachs estima em pelo menos mais $600 biliões, o que mesmo assim daria um total bastante inferior à proposta dos Democratas nas negociações, que rondava os $3 triliões, cerca do dobro do que os actuais $900 biliões, mais os referidos $600 biliões. Por outro lado um mar azul na política, cor do partido Democrata, na presidência e no Congresso está a elevar o receio de que os cortes nos impostos, aprovados no mandato de Trump, possam terminar, assim como a eventualidade de nova regulamentação que na prática pressione ou mesmo obrigue ao desmembramento das grandes tecnológicas.

Se a questão do aumento de impostos está a ser remetida para segundo plano, visto que os estímulos fiscais no curto-prazo compensariam esse aumento de custos, já no tema da regulação o sentimento por agora é predominantemente de cautela, com os investidores a aproveitarem para fazer rotação de capital das tecnológicas para as small caps, que são vistas como as principais beneficiadas com mais estímulos à economia, mas também com um regresso gradual à normalidade da actividade económica, como se espera que aconteça a partir do meio do ano, altura em que a maioria da população dos EUA já deverá ter imunidade contra o COVID-19. Esta rotação de capital está bem patente no facto do Dow Jones estar a ganhar mais de 2% enquanto que o Nasdaq consegue amealhar apenas 0,5%, sendo ainda mais significativo o ganho de 4% que se verifica no Russell 2000.

Contudo e apesar da realidade da sessão de hoje, que pode até continuar nos próximos dias, a eventualidade de um domínio dos Democratas no Congresso poderá despoletar uma correção na ordem dos 10% no mercado, podendo no entanto haver um desnível nas quedas, com as tecnológicas a serem as mais prejudicadas, mesmo que poucos acreditem que Biden forçará uma agenda agressiva de regulação nos primeiros dois anos, dado que é evidente que a sua intenção primária será a de unir os cidadãos e não criar clivagens.

Nas matérias-primas destaque para o ganho de 1,6% no preço do WTI crude para os $50.72 por barril, depois da Arábia Saudita ter decidido reduzir a produção de crude unilateralmente, o que pode ajudar a manter o preço do activo nestes valor por mais algum tempo, pelo menos até que a actividade económica dê sinais de retoma efectiva, o que daria suporte técnico derivado do aumento da procura.

O gráfico de hoje é do BRENT, o time-frame é Semanal

Depois de um teste à linha inferior do canal descendente, o preço do Brent tem espaço para valorizar até à linha superior do canal

Marco Silva

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