Análises de Mercado

Rotação de capital continua mas sem entusiasmo

O ínicio da semana em Wall Street trouxe pouco entusiasmo aos índices norte-americanos e o cenário continuou a ser o da consolidação, mantendo-se activa a preferência dos investidores pelas empresas que poderão beneficiar de uma retoma da actividade económica, após mais uma notícia sobre uma vacina a sair numa segunda-feira, desta feita a da AstraZeneca & University of Oxford, que nos ensaios clínicos atingiu uma taxa de eficácia entre os 70% e os 90%, consoante a dosagem aplicada. Mas apesar da aparente boa notícia o certo é que o sentimento do mercado pouco se alterou, tal como ocorreu aquando do anúncio da vacina da Moderna, que conseguiu injetar apenas um ligeiro optimismo numa sessão, isto porque a visibilidade sobre a eficácia da imunização à larga escala ainda é reduzida, para além de que é preciso não esquecer que mesmo com um regresso gradual à normalidade as principais economias mundiais estão fragilizadas e o seu “salvamento” é tudo menos um dado adquirido.

Na Europa o veto da Hungria e da Polónia ao Orçamento “bazuka” deixa a economia europeia numa indecisão preocupante, numa altura em que diversos governos implementam medidas de confinamento muito similares aos da primeira vaga, o que trará certamente custos muito elevados para o tecido empresarial e por consequência para o emprego. Do outro lado do Atlântico o cenário é ainda mais nublado, pois a esperança já era pouca sobre a possibilidade de um entendimento até ao final do ano, entre Democratas e Republicanos para um novo pacote de estímulos, e menor ficou com o intervalo para a semana do dia de Acção de Graças, empurrando o regresso dos senadores e representantes no Congresso só para Dezembro, não havendo igualmente qualquer indicação de que nessa data possa haver uma aproximação entre os dois lados da barricada, dada a irredutibilidade de ambos.

E enquanto os políticos nada fazem restam as últimas linhas de defesa, os bancos centrais, que sem grande alarido têm suportado o gigantesco avolumar dos déficits dos Governos, adquirido montantes astronómicos de dívida soberana, com destaque para o FED que em menos de um ano mais que duplicou o balanço neste tipo de activo, passando dos $2 triliões, no final de 2019, para os actuais $4,5 triliões em títulos do tesouro norte-americano. Veremos até quando será possível aguentar esta aparente interminável criação de liquidez, servindo apenas de consolo o facto de quase todas as principais economias estarem no mesmo barco, ou seja dificilmente poderá desaguar num problema específico de um país, havendo portanto algum espaço para uma resolução do problema de forma mais abrangente, porque a prazo é quase inevitável que os gigantescos balanços dos bancos centrais irão resultar num problema.

Mas isso são histórias para mais tarde, por agora os investidores seguem sem vitalidade, até porque não há, nem deverá haver nos próximos dias, catalisadores que incutam volatilidade ao sentimento, pelo que esta lateralização poderá manter-se por mais uns dias.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 1 hora

O principal par de moedas esteve nos dias dentro de um canal ascendente (azul), acabando por quebrar em baixa a linha inferior do mesmo, o que despoletou um outlook bearish no curto-prazo.

Marco Silva

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