Date: 07 Mai 2019

O sentimento à entrada para a primeira sessão desta semana era, tal como referi ontem, de cinzento carregado após os tweets de Trump onde o presidente norte-americano anunciou a subida de tarifas alfandegárias já para sexta-feira, agravando de sobremaneira a retórica de conflito que esteve contida durante boa parte deste ano. Contudo e tal como tem sido norma o impacto das afirmações de Trump foram desvanecendo à medida que o tempo passava na sessão, seja pela falta de credibilidade que os tweets do presidente têm na comunidade de investidores, dados os inúmeros exemplos passados de incorrecções, ou pelo simples facto que o mercado nem sequer coloca a possibilidade de não se chegar a um acordo mais cedo ou mais tarde, visto que o não atingir será um sério problema para a economia mundial, o certo é que vagarosamente, mas sem grande percalços os índices percorreram a escada das perdas até ficarem muito perto da linha de água, com destaque para o Russell 2000 que fechou mesmo com ganhos marginais, enquanto que o industrial Dow Jones averbou o menor recuo dos principais índices com um deslize de -0,25%.

De realçar o facto de tal como na sexta-feira o volume ter sido baixo para um dia que se previa com mais movimento dada a sua envolvência, o que deixa transparecer que os investidores continuam algo receosos em tomar posições relevantes. Curiosamente e não obstante o vermelho que varreu o S&P500, onde o sector da saúde foi o único a registar uma valorização, a procura por activos refúgio foi contida para o que se antevia, o que não é de menosprezar, seja no segmento accionista, como no mercado cambial onde o Yen apenas adicionou 0.2% para os 110.88, num dia em que a moeda norte-americana também ganhou terreno face a um cabaz de outras moedas principais. Já a libra inglesa recuou -0,5% para os $1.3102, anulando assim quase metade da subida que tinha registado na sexta-feira.

Na Europa o Stoxx 600 encerrou com uma perda de -0.88% não aproveitando a recta final da recuperação em Wall Street, o que poderia dar algum alento aos Bulls na abertura hoje das praças europeias, não fosse o facto de após o mercado norte-americano ter fechado o negociador principal dos EUA, para o tema da guerra comercial, ter reafirmado que as tarifas vão mesmo subir na sexta-feira tendo em conta que a China recuou em compromissos que já tinha assumido nas negociações, o que empurrou os futuros do S&P500 para uma perda superior a -0,5%, resta saber se a sessão de terça-feira será um déjà vu da de ontem ou se os Bulls vão capitular.

O gráfico de hoje é do S&P500 o time-frame é de 30 minutos

O principal índice accionista deu um exemplo de como os padrões de canais podem ser importantes para aferir as extensões de movimentos, neste caso, se traçarmos uma paralela à linha azul inferior, formada pelos mínimos, e a colocarmos no máximos entre esses mínimos daria o ponto 4, que foi onde o índice encontrou resistência à subida.

Marco Silva