Análises de Mercado

Risco de epidemia contagia Wall Street de cautela

A sessão de quarta-feira em Wall Street até começou de feição para os Touros, com os três principais índices a registarem ganhos na abertura, em boa parte devido aos bons resultados apresentados pela IBM, com a “Big Blue” a surpreender o mercado ao revelar que as suas unidades de serviços de “cloud” e soluções cognitivas tiveram um desempenho mais positivo que o antecipado, permitindo contrariar as previsões de uma queda nas receitas no último trimestre de 2019, comparativamente ao mesmo período de 2018. Esta melhoria é importante tendo em conta que quebrou o ciclo de contracção de receitas que durou durante os cinco trimestres anteriores, uma fase menos boa que aparenta ter terminado por agora, uma vez que a empresa aumentou igualmente as perspectivas de lucros para 2020, para pelo menos $13,35 por acção, contra os $13,28 indicados anteriormente.

Mas os ganhos que os touros conseguiram manter durante a primeira hora do dia não aguentaram a dois tópicos que desgastaram o sentimento ligeiramente positivo que pairava, refiro-me à queda do preço do crude, que empurrou o sector energético para a maior desvalorização do dia no S&P500 e o agravar da incerteza na questão do Coronavirus que teve origem na China. Em relação ao “ouro negro” a perda de quase -3% de valor para os $56.67 por barril no WTI, foi devido às previsões da International Energy Agency sobre um excesso de oferta no mercado, que anulou por completo a possibilidade de uma redução da oferta por causa de disrupções na produção do activo na Líbia.

Já o caso do vírus é um pouco mais complexo e não obstante na terça-feira o mercado aparentemente ter ficado um pouco mais tranquilo com as medidas que a China estava a desenvolver para conter a propagação do mesmo, ontem essa tranquilidade foi abalada, não apenas pelo aumento de 6 para 17 do número de vitimas mortais, mas igualmente porque o país asiático decidiu colocar de quarentena a cidade onde “nasceu” o vírus, Wuhan, onde habitam 11 milhões de pessoas e se estima existam 4,000 infectados, muito mais que os 550 casos conhecidos até agora. Esta medida de isolamento criou receios de que tal se poderá expandir para outras regiões da China e até mesmo outros países, afectando o crescimento económico.

Hoje o tema principal poderá ser a reunião do BCE, de onde deverão sair novos tópicos de debate para os próximos meses, dentro da ideia proposta por Christine Lagarde de efectuar um ponto de situação dos últimos anos do banco central e um reajustamento para a nova realidade económico-social. Será igualmente importante estar atento ao tema do Coronavirus, até porque ontem a Organização Mundial de Saúde decidiu adiar a decisão sobre se o classifica como uma ameaça à saúde mundial, estando ainda a recolher informações sobre a situação, o que só por si é mau para o sentimento de mercado, devido à incerteza que gera.

O gráfico de hoje é do Brent, o time-frame é Diário

O preço do petróleo (Brent), poderá cair até testar a linha inferior do canal (azul), que é uma zona de suporte

Marco Silva

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