Date: 19 Set 2017

O sentimento de tolerância ao risco que na sexta-feira empurrou Wall Street para máximos históricos e a Europa para valores de há um mês, continuou sem grande alteração na primeira sessão desta semana. A ausência de noticias relevantes de carácter económico, empresarial ou mesmo politico abriu caminho ao ataque dos Bulls, que continuam sem dar indicações de “cansaço”, e nem as previsões do inicio do Quantitative Tightening, ou seja a redução dos estímulos e normalização da politica monetária, tanto nos EUA como na Europa, embora a ritmos diferentes, também não têm causado nuvens de incerteza no optimismo dos investidores. Prova disso foi a pouca vontade de manter os activos refúgio que amealharam há três semanas, pelo que o Ouro voltou a ceder terreno para mínimos de 3 meses, depois de uma queda de -1,1% para os $1,311 por onça. O Yen também não fugiu à pressão vendedora e voltou a desvalorizar terminando a sessão nos 111,60 versus o U.S dólar.

Não sendo expectável alterações nos juros tanto pelo FED, que começa hoje a sua reunião, como pelo BOJ, que reúne na Quinta-feira, o movimento destas duas moedas poderá ser condicionado pelo que será dito acerca do futuro dos estímulos dos respectivos bancos centrais, nomeadamente será interessante aferir se algum coloca a instabilidade geopolítica na Asia, como factor de precaução para adiar mexidas nos programas de apoio à economia. O facto de Trump se dirigir hoje pela primeira vez à Assembleia da ONU, para falar sobre as sanções à Coreia do Norte, é algo que deverá ser tido em conta como potencial factor catalisador de volatilidade do mercado accionista e do Forex, até porque apesar da vontade que os EUA têm em resolver a questão pela via pacifica, tal cenário não se afigura para já fácil de atingir. Destaque para a retracção do valor da Libra inglesa, que aliviou dos fortes ganhos das últimas duas semanas, recuando -0.8% para os $1.3483, apesar do governador do BOE ter de novo alertado para o facto de que a inflação no Reino Unido se irá provavelmente manter acima dos objectivos por um período alargado de tempo, o que obrigará a um movimento de subida dos juros mais acelerado, embora sempre com precaução devido às expectativas de um crescimento da economia inglesa abaixo das economias do G7, pelo menos até ao próximo ano.

 

O gráfico de hoje é do Footsie, o time-frame é Diário

O índice da praça inglesa encontra-se na zona da linha inferior do canal descendente (azul), pelo que é provável que o rebound ocorrido ontem possa continuar por mais algum tempo, ou pelo menos ocorrer uma consolidação lateralizada.

Marco Silva