Date: 11 Ago 2017

Quem tenha visto o resultado final da sessão de ontem poderá ter ficado algo alarmado com o rumo dos acontecimentos, afinal não é todos os dias que se “ouve” uma retórica de quase confronto iminente entre dois países com acesso a armamento nuclear, ou que o VIX dispara mais de 40% e os activos refúgio são alvo de forte procura, que no caso do Ouro o levou para máximos de 2 meses, ou ainda que os principais mercados mundiais encerram com vermelho carregado. Mas por debaixo da espuma dos “títulos de jornais” importa analisar os fundamentos para tais movimentos. Ora é certo e sabido que as avaliações em inúmeros activos estão elevadas, talvez não em valores de bolha, mas mais perto disso do que de uma valorização adequada, o S&P500 por exemplo transacciona a 23 vezes os seus lucros actuais enquanto que em 2000, antes da bolha das dot.com rebentar esse número andava nos 30. Contudo e embora não esteja num patamar proibitivo, está bem longe de um local para investir com um rácio risco/recompensa aceitável e dai que o sentimento dominante nos últimos meses tenha sido o de acautela optimista, ou seja não vender mas também ser muito criterioso em investir.

Razão pela qual os investidores estejam mais susceptíveis a um retracement, mesmo que para já não existam grandes motivos fundamentais para tal, isto porque um ataque preventivo por parte de Trump é muito improvável devido às consequências politicas que tal iria provocar, ao passo que um ataque inicial por parte da Coreia do Norte, resultaria muito provavelmente em insucesso, devido aos sistemas anti-míssil, o THAAD, que tanto Guam quanto a Coreia do Sul já detêm, que dificilmente deixaria passar algo. Quanto muito a incógnita reside nos mísseis intercontinentais, onde o segredo é maior, mas que também não permite dar garantias de que a Coreia do Norte tem realmente um sistema capaz de aguentar a reentrada na atmosfera na terceira e última fase da trajectória de um ICBM. Resumindo, por enquanto e sem mais informações, a grande maioria dos investidores e analistas continua a considerar que o recente agravamento da retórica por parte de Trump deve-se à fragilidade em que o mesmo se encontra, depois de ter falhado, mais uma vez, a tentativa de implementar a sua lei de saúde, ao mesmo tempo que as investigações sobre as ligações da sua campanha presidencial à Rússia se intensificam.

Seja ou não um bluff de Trump, o certo é que a volatilidade extra pode abrir espaço para negócios interessantes, devendo contudo o trader acautelar a gestão de risco, nomeadamente a alavancagem, de forma condizente.
O gráfico de hoje é do Ouro, o time-frame é Diário

O metal precioso encontra-se a testar a linha superior do canal descendente (verde), pelo que poderá existir alguma resistência extra a mais subidas no curto prazo, contudo devido à envolvência externa o aguardar por um padrão de topo poderá reforçar a confiança no sinal.

Marco Silva