Análises de Mercado

Resultados aceleram em Wall Street

Depois de uma semana de época de resultados, dominada principalmente pelo sector financeiro, os investidores preparam-se agora para o acelerar da divulgação dos lucros e receitas das empresas no terceiro trimestre 2020, sendo que com 10% das constituintes do S&P 500 a terem reportado os seus números, o cenário é com habitualmente mais optimista do que o antecipado há uma semana. -18,4% é a contração registada para já, o que não obstante ser melhor que os -21% de redução nos lucros projetados há uns dias não deixa de ser, caso venha a ser esse valor no final, a segunda pior earnings season desde o segundo trimestre de 2009, altura em que os resultados caíram quase -27%, Em termos de avaliação o forward PE, portanto os resultados previstos para daqui a 12 meses em relação à cotação dos títulos está nos 22, muito superior à média dos 5 anos, que se cifra nos 17,3 e ainda mais sobrevalorizado sobre a média dos 10 anos que está nos 15,5, comparações que certamente dão que pensar no futuro de curto-médio prazo.

Mas se os lucros vão cair bastante já as receitas nem tanto, nomeadamente é prevista uma contração de -3,3% nas vendas das empresas do S&P500, o que indicia uma quebra significativa da margem de lucro, tendo em conta que as receitas não diminuem tanto como os lucros. Ora para este terceiro trimestre de 2020 a margem líquida está prevista que tenha sido de 9,7%, e apesar de ser uma melhoria em relação aos 8,6% no trimestre passado e mesmo em relação aos 9,3% do primeiro trimestre deste ano, ainda assim é a terceira margem líquida mais baixa desde o primeiro trimestre de 2016. Já ao nível dos setores o panorama é muito curioso e justifica a performance dos índices norte-americanos nos últimos meses, por exemplo o setor industrial é o que tem menor margem líquida e apesar de haver um aumento em relação ao trimestre passado, para os 4,17% ainda assim é muito abaixo da média dos 5 anos está nos 8,6%, enquanto que do outro lado da barricada o setor tecnológico apresenta-se como o grande vencedor desta fase complicada da economia, ao registar uma margem de lucro de 20,7%, superior à média dos 5 anos que é de 20,4% portanto o fundamental que está justificar a diferença entre os movimentos do Dow Jones e do Nasdaq no pós-pandemia.

No início desta semana o sentimento apresenta-se muito semelhante àquele que dominou a semana passado ou seja pouca convicção em Wall Street nos seus movimentos, derivada da incerteza quanto ao tema dos estímulos a serem aprovados pelo Congresso norte-americano, mas principalmente em relação às eleições presidenciais do dia 3 de novembro nos Estados Unidos. E não sendo expectável que exista um acordo até lá os Investidores estão para já a dar o benefício da dúvida, sobre a possibilidade de existir algum compromisso que não adie até janeiro, um importante pacote de estímulos que auxilie a maior economia do mundo numa altura em que o mercado de trabalho dá claros sinais de fraquejar. Comprovando os receios de Jerome Powell, presidente da FED, quando há várias semanas referiu que o mercado de trabalho não iria conseguir aguentar a recuperação em V, verificada logo a seguir ao Cares Act entrar em vigor.

O gráfico de hoje é do Nasdaq, o time-frame é diário

O índice tecnológico está na segunda onda e ainda com o objectivo para o Head&Shoulders invertido (linha laranja) válido.

Marco Silva

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