Date: 02 Out 2017

Mesmo para quem, como eu, atravessou a crise das dot.com em 2000/1, a mais recente crise financeira de 2008 foi tudo menos apenas mais uma. Não devido a receios de uma implosão do sistema financeiro, como muito se propagou na altura, mas principalmente devido à falta de mecanismos para a combater que não implicassem um confronto com a sociedade descontente com às más práticas do sector financeiro. Contudo e de novo os EUA conseguiram dar a volta ao problema imprimindo uma estratégia inédita, arriscada e nunca antes assumida como possível sequer. Foi assim que nasceram os programas de estimulo, primeiro com uma injecção gigantesca de liquidez no sistema financeiro, e outros de importância elevado como o automóvel, e depois com a compra de activos, nomeadamente de dívida hipotecária e soberana, o que na prática foi a maior criação de capital virtual da história da humanidade. Em consequência disso e contra todas as expectativas mais optimistas o sistema financeiro norte-americano é hoje de novo um dos mais valiosos do mundo enquanto que Wall Street está em máximos históricos, no segundo maior Bull market de sempre, que dura há já 8 anos e com valorizações que atingem, desde os mínimos de 2009, cerca de 370% no Nasdaq, 242% no S&P500 e 217% no Dow Jones.

Durante o mesmo período e por improvável que pareça o índice do U.S dólar valorizou cerca de 8%, perdendo no entanto aproximadamente 7% contra o Euro, muito por culpa da divergência das politicas monetárias, nomeadamente do timing de implementação dos estímulos e da injecção de massa monetária, diferença essa entre moedas que com o final dos Quantitative Easing nos EUA e a continuação dos mesmos na Europa, tem vindo gradualmente a ser reduzida, depois de ter atingido um spread de 18% logo em 2009. Este resumo é importante para se preparar a análise ao último trimestre deste ano, que poderá trazer mudanças significativas, a começar pela redução efectiva do balanço do FED e quiçá de um time-frame para o BCE terminar com a injecção de massa monetária no sistema, uma vez que a economia na zona Euro continua a dar sinais de resiliência, apesar de, tal como nos EUA, a inflação continuar a não avançar ao ritmo previsto e desejado.

Outro ponto importantíssimo será a provável saída de Janet Yellen do leme do FED, uma hipótese que ganhou ainda mais força na sexta-feira depois de Trump ter indicado que teve reuniões com potenciais candidatos ao cargo, sendo um dos apontados o antigo governador do FED, Kevin Warsh. A ser verdade que Yellen não continuará, isso poderá implicar uma mexida na politica monetária do banco central, com Warsh a ser apontado como mais dovish que a actual FED chair, ou seja poderá influir no ritmo de subida dos juros, bem como na redução do balanço do banco, tudo factos que são susceptíveis de mexer com o mercado, tanto accionista, como do Forex.

 

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Diário

O principal índice mundial quebrou em alta a linha superior do canal ascendente, o que aliado a um possível padrão de Elliott Wave (o activo está na terceira onda-vermelho), sugere cautela aos Bulls nos tempos mais próximos até o movimento ser clarificado.

Marco Silva