Date: 17 Dez 2018

A sessão de sexta-feira começou muito cedo condicionada pelo pessimismo, desde logo nas praças asiáticas depois da China ter revelado uma produção industrial em Novembro que cresceu ao ritmo mais baixo dos últimos 3 anos nos 5,4%, contra os 5,9% esperados, enquanto que o crescimento das vendas a retalho ficou aquém das previsões nos 8.1% contra os 8,8% antecipados, registando assim o ritmo de crescimento mais reduzido dos últimos 15 anos. Sem grandes dúvidas o “culpado” deste resultado da segunda maior economia do mundo foi identificado como sendo a guerra comercial entre país e os EUA, colocando bastantes reservas quanto ao futuro imediato do crescimento económico mundial visto que a China é e tem sido nos últimos anos o maior motor destacado desse crescimento.

Depois ainda antes de Wall Street abrir, mais más notícias da Europa, nomeadamente do PMI, que tanto no Eurozone PMI Composite Output Index como no Eurozone Services PMI Activity Index saíram bem abaixo do previsto e em mínimos de 49 meses. No sector industrial o cenário não foi melhor com o Eurozone Manufacturing PMI a ficar nos 51,4, abaixo dos 51,8 projectados e em mínimos de 34 meses. Adicionalmente dos corredores do poder político foi conhecido que a última ronda de encontros entre a primeira ministra do Reino Unido e líderes europeus com vista ao Brexit, foi bastante inconsequente, algo que o presidente da comissão europeia referiu ao afirmar que “os nossos amigos do Reino Unido têm de dizer o que é que querem em vez de nos perguntarem o que é que nós queremos” e “que por vezes o debate é algo nebuloso e impreciso”, declarações que beliscaram de sobremaneira algum optimismo que possa ter sido criado por Theresa May aquando das reuniões, porque na prática ficou tudo na mesma.

Escusado será dizer que não só as praças europeias registaram quedas em toda a linha, embora não significativas, tanto a moeda única como a Libra inglesa foram afectadas ao cederem ambas -0.5% para os $1.1303 e $1.2582 respectivamente, já o U.S dólar e o Yen estiveram em alta com ganhos de 0,3% e 0,2% em boa medida devido à procura por activos refúgio, dada a performance bastante negativa dos índices norte-americanos, que perderam cerca de -2% em média. No S&P500 os sectores core de activos refúgio, imobiliárias e utilities estiveram perto de fugir ao vermelho, enquanto que as retalhistas de produtos essenciais, habitualmente procuradas para refúgio, sucumbiram aos dados das vendas a retalho da China, que condicionou todo o sector do retalho.

Esta semana destaque para a reunião do FED onde se irá decidir se os juros subirão mais uma vez este ano, e provavelmente de onde poderão sair algumas indicações quanto à mentalidade dos membros do board relativa à saúde da economia norte-americana, bem como do futuro do movimento de tightening para 2019, que o mercado já assume será um ano de pausa.

O gráfico de hoje é do GerTec, o time-frame é Semanal

Depois de ter efectuado um duplo topo (linhas azuis), o índice tecnológico alemão testou recentemente a primeira linha de suporte (linha vermelha), que a ser quebrada dará espaço para quedas até à zona seguinte de suporte (linha verde)

Marco Silva

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