Date: 09 Ago 2018

Depois do S&P500 ter ficado muito perto de novos máximos históricos os investidores deram ontem um passo atrás, quem sabe para em breve darem dois à frente e quebrarem a fasquia imposta no final de Janeiro. Não obstante o sentimento claro de aversão ao risco existiram bolsas de optimismo, como por exemplo a continuação dos bons ventos na Amazon e a recuperação no Facebook, que permitiram ao Nasdaq escapar ao vermelho, embora que por apenas 0,06%. A cautela em Wall Street foi agravada pela resposta da China à lista elaborada pelo U.S. Trade Representative office, de $16 biliões de produtos importados pelos EUA da segunda maior economia do mundo, e que serão alvo de novas tarifas alfandegárias a entrarem em vigor no final deste mês. O Chinese Ministry of Commerce respondeu na mesma moeda e anunciou tarifas de 25% na importação de $16 biliões de produtos Made in USA, tais como veículos, combustíveis e fibra óptica.

Sem surpresa as principais exportadoras foram atingidas pelo agravamento da guerra comercial, Boeing e Caterpillar tiveram dos piores desempenhos no Dow Jones, o que ajudou o índice industrial a obter a maior queda do dia. Não obstante este obstáculo e pelo menos enquanto estiver presente na mente dos investidores a excelente earnings season que está a terminar, os Bulls estão em vantagem, isto salvo se algo de realmente disruptivo ocorrer ao nível geopolítico entretanto, deixando para a reunião do FED e próxima earnings seasons a prova dos nove relativa à continuação do Bull market.

No Forex há a destacar três desenvolvimentos ocorridos na quarta-feira, o Dólar canadiano valorizou 0,3% apesar da Arabia Saudita ter ameaçado vender activos canadianos que detém devido ao conflito diplomático existente entre os países. Na Turquia os ventos continuam muito negativos, com a Lira a recuar depois de estar a subir, com os investidores a recearem que a solução para a crise económica que o país atravessa será agressiva e com o auxilio do FMI, o que trará medidas de austeridade. Por fim, o principal destaque vai para a queda do Rublo russo para mínimos de 21 meses, e de cerca de -3% face ao U.S dólar. A pressão vendedora ocorreu por dois motivos, notícias de um rascunho de lei que está a ser elaborada pelo senado norte-americano com sanções pesadas à Rússia devido ao envolvimento desta nas eleições presidenciais de 2016. Já o segundo motivo foi mais concreto, nomeadamente sanções dos EUA à Rússia, que vão entrar em vigor a 22 de Agosto, devido ao assassinato em solo do Reino Unido de um ex agente dos serviços secretos russo e da sua filha, o que segundo a administração de Trump violou as leis internacionais. Sanções estas que irão limitar a venda de centenas de milhões de dólares em produtos considerados sensíveis ao nível da segurança nacional, como por exemplo, componentes e equipamento electrónico de variada espécie.

O gráfico de hoje é do índice do Bovespa, o time-frame é Semanal

O índice brasileiro poderá vir a validar um padrão de Head&Shoulders de longo prazo, quem tem na linha azul a sua linha dos ombros.

Marco Silva