Análises de Mercado

Pandemia regressa e com ela a correção

Ainda é muito cedo para se antecipar a possibilidade de uma correção similar à de Março, quando os índices norte-americanos caíram cerca de 30% num espaço de tempo recorde, até porque na altura a incerteza era maior, nomeadamente quanto às consequências das medidas de quarentena impostas um pouco por todo o mundo. Agora e com o regresso do confinamento, para já não tão abrangente, os investidores têm pelo menos a noção da gravidade que a restrição de movimento poderá causar na actividade económica, seja na frente negativa mas também nos vendedores de um novo regresso ao trabalho de casa, um hábito que tal como há uns meses deverá beneficiar o sector tecnológico, embora de forma selectiva, prejudicando no entanto um grupo significativo de sectores dentro da economia tradicional.

O facto de Angela Merkel ter chegado a acordo para um confinamento parcial de um mês fez despertar a aversão ao risco, o que está a condicionar significativamente o sentimento, tendo em conta que maior economia da zona Euro é vista como um barómetro para o resto das economias do bloco. Do outro lado do Atlântico as notícias não são melhores, desde logo porque o impasse nas negociações sobre um novo pacote de auxílio à economia norte-americana está para durar, e é agora remota a possibilidade de Democratas e Republicanos efectivarem um entendimento até às eleições de 3 de Novembro, sendo que os investidores já estão a pensar no dia seguinte, ou melhor nos meses seguintes, visto que seja qual for a resultado do escrutínio eleitoral dificilmente haverá vontade de alguma das partes cederem.

Igualmente negativo nesta quarta-feira foi o outlook anunciado pela Microsoft, que apanhou o mercado um pouco desprevenido, dado que a gigante tecnológica é vista como beneficiária da nova realidade económica e social, contudo e não obstante um terceiro trimestre que bateu todas as previsões, com a boa performance a vir de novo no segmento da Cloud, o certo é que os responsáveis da empresa não estão muito optimistas quanto ao futuro e as previsões são para receitas abaixo do antecipado pelos analistas, o que está a condicionar os títulos da empresa que perdem mais de 3%, validando a noção de que o mercado pensa mais no futuro do que no passado.

Muito curioso de verificar que apesar dos índices norte-americanos estarem com perdas na ordem dos 3%, os activos refúgio não brilham, com o Yen a ganhar apenas 0,1% e o preço do Ouro a recuar -1,6%. Mas há um vencedor claro hoje, o U.S dólar que mais uma vez está a demonstrar ser um porto seguro em alturas de maior incerta, mesmo que a instabilidade advenha da maior economia do mundo.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 1 hora

O principal índice accionista quebrou em baixa o canal descendente, o que à primeira vista pode parecer bearish, mas que geralmente significa uma inversão de sentido no curto prazo.

Marco Silva

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