Análises de Mercado

Optimismo reina em véspera do dia J

Depois da desilusão com os dados do emprego privado, que apenas alimentaram ainda mais as perspectivas para uma mentalidade mais dovish por parte do FED, os investidores continuaram ontem a gerir os seus investimentos com base em optimismo, que após o fecho do mercado se veio a revelar uma ilusão, isto porque uma boa parte da pressão compradora na sessão de quinta-feira foi devido à notícia de que a administração Trump iria adiar a introdução das tarifas alfandegárias a produtos importados do México, até porque o embaixador do vizinho do sul dos EUA mostrou confiança em que o diferendo seria ultrapassado, e também após a forte oposição do líder republicano no Senado norte-americano, que instou o presidente que apoia, a ter calma na introdução de sanções ao México, visto que as mesmas poderão vir a ser bloqueadas. Só que já no after hours a Casa Branca veio desmentir a possibilidade de um adiamento das tarifas, referindo que a posição da administração não mudou e que na segunda-feira os produtos importados do México terão mesmo um custo adicional de 5%.

Ao nível económico nada de muito relevante para além das declarações do Presidente do BCE, que como era expectável teve um discurso dovish, referindo algum optimismo com a situação económica na zona euro devido a uma ligeira melhoria das condições nas últimas semanas, que provocaram uma subida de 0.1%, para os 1.2%, das previsões do BCE para o crescimento do PIB em 2019, contudo e ao mesmo tempo que reduziu em 0.2% as expectativas para 2020, estando agora nos 1.4%. Mario Draghi reforçou as preocupações que já tinha expressado em reuniões anteriores e que foram igualmente referidas pelo seu congénere do outro lado do Atlântico, o diferendo comercial entre os EUA e as outras principais economias mundiais, que ameaça interromper o ciclo de crescimento económico que dura há uma década.

Receios que levam já os investidores a prever não um, nem dois, mas três cortes de juros por parte do FED este ano, pelo menos assim indicam os FED funds futures com uma probabilidade de 60%, que indiciam igualmente em 70% a possibilidade do primeiro movimento descendente ocorrer já na reunião de Julho. Perspectivas que ajudaram o Euro a valorizar 0.5% face ao U.S Dólar para os $1.1273, devido também ao optimismo de Draghi, movimento ascendente da moeda única que se poderá estender caso os dados de hoje do dia J, de Jobs, ou os non-farm payrolls, saiam abaixo das estimativas e se o FED seguir a estratégia esperada pelos investidores de reduzir em breve o custo do dinheiro.

O gráfico de hoje é do Light Crude, o time-frame é de 4 horas

O preço do WTI crude efectuou um padrão de duplo fundo, com divergência no stochastic (linhas laranja), o que aliado a tal ter ocorrido na linha inferior do canal poderá dar algum suporte ao valor do activo

Marco Silva