Date: 07 Jun 2019

Depois da desilusão com os dados do emprego privado, que apenas alimentaram ainda mais as perspectivas para uma mentalidade mais dovish por parte do FED, os investidores continuaram ontem a gerir os seus investimentos com base em optimismo, que após o fecho do mercado se veio a revelar uma ilusão, isto porque uma boa parte da pressão compradora na sessão de quinta-feira foi devido à notícia de que a administração Trump iria adiar a introdução das tarifas alfandegárias a produtos importados do México, até porque o embaixador do vizinho do sul dos EUA mostrou confiança em que o diferendo seria ultrapassado, e também após a forte oposição do líder republicano no Senado norte-americano, que instou o presidente que apoia, a ter calma na introdução de sanções ao México, visto que as mesmas poderão vir a ser bloqueadas. Só que já no after hours a Casa Branca veio desmentir a possibilidade de um adiamento das tarifas, referindo que a posição da administração não mudou e que na segunda-feira os produtos importados do México terão mesmo um custo adicional de 5%.

Ao nível económico nada de muito relevante para além das declarações do Presidente do BCE, que como era expectável teve um discurso dovish, referindo algum optimismo com a situação económica na zona euro devido a uma ligeira melhoria das condições nas últimas semanas, que provocaram uma subida de 0.1%, para os 1.2%, das previsões do BCE para o crescimento do PIB em 2019, contudo e ao mesmo tempo que reduziu em 0.2% as expectativas para 2020, estando agora nos 1.4%. Mario Draghi reforçou as preocupações que já tinha expressado em reuniões anteriores e que foram igualmente referidas pelo seu congénere do outro lado do Atlântico, o diferendo comercial entre os EUA e as outras principais economias mundiais, que ameaça interromper o ciclo de crescimento económico que dura há uma década.

Receios que levam já os investidores a prever não um, nem dois, mas três cortes de juros por parte do FED este ano, pelo menos assim indicam os FED funds futures com uma probabilidade de 60%, que indiciam igualmente em 70% a possibilidade do primeiro movimento descendente ocorrer já na reunião de Julho. Perspectivas que ajudaram o Euro a valorizar 0.5% face ao U.S Dólar para os $1.1273, devido também ao optimismo de Draghi, movimento ascendente da moeda única que se poderá estender caso os dados de hoje do dia J, de Jobs, ou os non-farm payrolls, saiam abaixo das estimativas e se o FED seguir a estratégia esperada pelos investidores de reduzir em breve o custo do dinheiro.

O gráfico de hoje é do Light Crude, o time-frame é de 4 horas

O preço do WTI crude efectuou um padrão de duplo fundo, com divergência no stochastic (linhas laranja), o que aliado a tal ter ocorrido na linha inferior do canal poderá dar algum suporte ao valor do activo

Marco Silva