Date: 10 Jun 2019

Com os investidores claramente entusiasmados com o regresso do dinheiro barato e fácil nos EUA, as más notícias que saíram na sexta-feira sobre os non-farm payrolls norte-americanos, foram ouro sobre azul numa semana que se revelou um oásis para os Bulls, que conseguiram registar o melhor período semanal desde Novembro no índice industrial, com ganhos que oscilaram entre os 3,9% no tecnológico Nasdaq, os 4,4% no S&P500 e os 4,7% no Dow Jones. Optimismo todo ele derivado das declarações de Jerome Powell que alinhou o discurso do FED com as expectativas mais dovish que o mercado já vinha a indiciar, nomeadamente que 2019 ainda traria um corte de juros, contrariamente às três subidas que em Outubro de 2018 faziam parte do programa do maior banco central para este ano. O facto do número de empregos criados ter sido muito abaixo das previsões, 75.000 contra os 180.000 esperados, foi de tal forma importante que curiosamente o mercado de futuros dos juros do FED apontam agora para a possibilidade de não uma, mas três descidas nos juros em 2019, com cerca de 25% de probabilidade de a primeira ocorrer já este mês, sendo quase certo que a não ser assim o movimento descendente terá início no próximo mês.

A fraqueza no mercado de trabalho, que por enquanto não assusta os investidores quando à manutenção de um crescimento económico robusto, teve igualmente consequências nos yields das obrigações soberanas, que voltaram a descer, afectando assim o sector financeiro do S&P500, que em conjunto com as utilities foram os únicos a perder valor na sexta-feira, com a diferença que as segundas recuaram por redução de activos refúgio nos portefólios. A influência negativa destes dois grupos no Dow Jones e no S&P500 fizeram com que ambos os índices tivessem obtido uma prestação inferior ao Nasdaq, que aproveitou a boleia dos ganhos da Apple, Microsoft e Amazon. Tecnológicas que averbaram também o melhor resultado nos onze grupos do S&P500, em boa parte por causa dos semicondutores, com o índice SOXX a valorizar cerca de 1,2%.

Destaque para as yields da dívida soberana alemã a 10 anos que atingiram mínimos históricos nos -0.26%, bem como realce para o acordo entre os EUA e o México que evitará a entrada em vigor das tarifas alfandegárias ameaçadas por Trump, um desfecho que poderá afectar positivamente a sessão de hoje. No mercado cambial o menor ímpeto económico e juros mais baixos fizeram estragos no U.S dólar, que cedeu -0.2%, contra um cabaz de outras matérias-primas, permitindo ao Euro um ganho de 0.5% para os $1.1334, enquanto que o Yen, mesmo sofrendo com menor apetência por segurança conseguiu uma subida de 0.2% para os 108.16.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é diário

Tal como era previsível a linha inferior do canal ascendente (azul) revelou ser uma zona de suporte ao valor do principal índice accionista

Marco Silva