Análises de Mercado

O jogo da inauguração

Negociar em bolsa nunca pode ser encarado como um jogo, aliás essa palavra é tabu para qualquer trader que pretenda ter sucesso, o negócio de trading é baseado em critérios fundamentais ou técnicos, tendo subjacente a estatística que o valida, e onde a sorte não tem lugar no médio-longo prazo. Mas para efeitos deste comentário irei empregar a palavra “jogo”, mas como outra conotação, concretamente relacionada com a roda viva do investimento em várias frentes de negócio consoante as perspectivas dos investidores sobre o que irá sair dos primeiros tempos do mandato de Joe Biden, um movimento de selecção que começou logo após serem conhecidos os primeiros resultados das eleições de Novembro passado.

 

Coincidência ou não a preferência pelos sectores tradicionais da economia, que potencialmente mais vão beneficiar de um regresso à normalidade, começaram a valorizar mais que as tecnológicas, sendo certo que muito foi por causa do anúncio da primeira vacina anti-COVID, a da Pfizer, que saiu poucos dias após Biden vencer o duelo presidencial. Mas para além desse impulso foi inegável algum recuo dos investidores em relação às grandes tecnológicas, devido à intenção do Partido Democrata e de Biden em regular o sector, o que poderá acabar num desmembramento dos principais nomes do Nasdaq.

 

Desde que Trump tomou posse, o Dow Jones valorizou 57%, um valor substancialmente menor que os ganhos de três dígitos do Nasdaq e do S&P500, assim como uma performance inferior à do índice industrial aquando do primeiro mandato de Obama, quando subiu 75%, e uma prestação que fica ainda menos entusiasmante se tivermos em conta que 17% dos 57% aconteceram após as eleições de 3 de Novembro, ou seja Trump não foi um talismã para o sector industrial, estando no entanto num dos melhores períodos de sempre das grandes tecnológicas que o anterior presidente tanto criticou. Com a passagem de testemunho e sem perder tempo Biden assinou nas primeiras horas três ordens executivas, com a terceira a recolocar os EUA nos acordos de Paris, uma medida que vai de encontro ao que se esperava dele, nomeadamente no favorecimento das energias “verdes”, daí que as empresas relacionadas estes tipo de negócio tenham tido igualmente um apetite extraordinário nos últimos dois meses, como por exemplo as fabricantes de veículos eléctricos.

 

Contudo o caminho de Biden ainda agora começou e muito poderá mudar as perspectivas para os sectores que têm sido favorecidos, estando ainda por saber como irá ficar a economia após o choque da pandemia, que transformou a forma como os consumidores se relacionam com as empresas e como as empresas interagem com os seus trabalhadores, pois se uma parte das operações deverá voltar gradualmente ao normal, outra poderá manter agora o novo ritmo adquirido, mais digital, mais flexível e menos assente nos conceitos da economia tradicional, ou seja, mais vendas online, mais tele-trabalho, o que acabará por manter as tecnológicas num plano de destaque.

 

 

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 1 hora

 

Depois de ter quebrado em baixa o canal descendente, o principal índice accionista inverteu o sentido e quebrou com grande entusiasmo a linha superior do mesmo canal, validado de novo a teoria de que quando um canal é quebrado pela primeira vez é geralmente indício que vai inverter o sentido e quebrar do lado contrário.

 

Marco Silva

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