Análises de Mercado

O grande resgate americano

Biden prometeu e aparentemente Biden parece querer cumprir com as promessas feitas na campanha eleitoral para as presidências de Novembro passado, nomeadamente no que diz respeito ao apoio dirigido aos cidadãos, para combater as consequências económicas muito nefastas provocadas pelas medidas tomadas com vista a conter a progressão da pandemia de COVID-19. Tal como esperado esta quinta-feira foi conhecido o plano do próximo presidente dos EUA, o denominado American Rescue Plan e embora o montante global não atinja os $3 triliões propostos pelos Democratas durante as negociações o ano passado, que resultaram no pacote de $900 biliões, o certo é que Biden pretende estímulos na ordem dos $1,9 triliões no curto prazo, deixando desde já a porta aberta para mais dinheiro, embora a estratégia da segunda tranche seja diferente.

Concretamente o montante a distribuir nas próximas semanas a seguir à inauguração da sua presidência, serão para combater as necessidades imediatas dos cidadãos e empresas, como mais um cheque de $1,400, que se juntará aos $600 já aprovados, perfazendo os $2,000 propostos pelos Democratas, e que teve recentemente um apoio importante, após o Senador Republicano Marco Rubio ter implorado ao novo inquilino da Casa Branca que essa fosse uma medida a realizar de imediato. Entre outras propostas, Biden pretende subir o ordenado mínimo para os $15 por hora, assim como aumentar o subsídio de desemprego em mais $400 por semana até Setembro, altura em que também deseja que sejam estendidas as moratórias dos despejos.

A segunda parte do seu plano, que poderá ser conhecido e aprovado em Fevereiro, estará focada nos objetivos de longo prazo da sua presidência, concretamente na criação de empregos, a reforma das infraestruturas, tópico que deverá elevar substancialmente os gastos, combater as alterações climáticas e fomentar a igualdade racial. Tudo somado o valor poderá muito bem suplantar o nível dos $3 triliões, que será certamente contestado pelo lado Republicano, contudo deverá também ser um processo negocial acessível de percorrer por Biden, dado que os Democratas detém agora o controlo de todos os centros de decisão.

No campo da política monetária, quinta-feira revelou-se importante, dado que foi o dia em que Jerome Powell dissipou qualquer dúvida que ainda existisse sobre a continuação de uma política ultra “dovish” nos próximos meses, quando indicou que a economia ainda está muito longe dos objectivos definidos pelo FED, e que nem sequer é a altura para falar sobre a saída do movimento expansionista, indiciando que os $120 biliões que o banco central está a adquirir todos os meses, se irão manter durante bastante tempo, assim como os juros baixos.

Mas se tudo isto são aparentemente boas notícias para os Touros, o certo é que já há alguns dias que o ruído do mercado também incorpora a possibilidade de mais uma vez o lema, “comprar no rumor e vender na notícia”, poder ser validado. Nos próximos dias teremos a prova dos nove.

O gráfico de hoje é do Russell, o time-frame é Semanal

O índice das small caps atingiu a extensão fibonacci de 261,8% relativa à recente subida, comparativamente à anterior, o que poderá resultar numa zona de alguma resistência no curto prazo.

Marco Silva

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