Análises de Mercado

Nenhuma onda é melhor onda para Wall Street

Nas últimas semanas, durante o trajecto final para as eleições norte-americanas, referi a ligação entre o comportamento dos sectores tecnológicos e da saúde, e a probabilidade de uma onda azul vencer, ou seja, caso os Democratas ficassem com o controlo do Congresso, Senado e Casa dos Representantes, bem como a Presidência. A primeira indicação dessa ligação surgiu ainda o ano passado, quando se colocou a possibilidade de Elizabeth Warren poder vir a ser escolhida para representar o partido Democrata nas presidenciais, isto porque a Senadora é uma das principais faces do movimento que tem o intuito de reduzir o poder económico das grandes empresas tecnológicas, bem como obrigar o sector da saúde, nomeadamente farmacêuticas, a reduzir os custos dos tratamentos e medicamentos para os cidadãos.

Segunda e terça-feira, com a forte probabilidade da onda azul e depois de uma semana carregada de vermelho, Wall Street valorizou acentuadamente, contudo a intensidade foi demonstrativa da cautela dos investidores a estes dois sectores, com o Nasdaq a ter um comportamento mais contido na pressão compradora. Depois veio o lado B desta história, assim que foram conhecidos os primeiros resultados e se percebeu que afinal a vantagem de Biden era uma ilusão, tal como tinha sido a de Hillary Clinton em 2016, e portanto não só a questão do novo inquilino da Casa Branca estava longe de estar resolvida, como o controlo total do Congresso por parte dos Democratas seria muito difícil.

A reacção não se fez esperar e os futuros do Nasdaq na noite de quarta-feira expressaram bem o “alívio” dos investidores pela ausência de uma onda azul, contentamento que foi evidente na sessão regular e que deu aos sectores da tecnologia e da saúde os melhores desempenhos, com ganhos superiores a 4%. Mas o optimismo pós acto eleitoral teve outro condimento, é que com a mais que provável divisão do Congresso, dado que os Republicanos devem manter a maioria no Senado, fica sem efeito qualquer revisão substancial do que já existe, nomeadamente ao nível fiscal, como por exemplo a revogação dos cortes nos impostos decidido por Trump e que Biden prometeu acabar.

Daí que para já os Touros têm razões para sorrir, contudo existem diversas pedras no caminho, desde logo a quase certa demora na confirmação do vencedor, dada a intenção de Trump em recorrer aos tribunais, tendo o seu pessoal de campanha já começando a angariar receitas para esse fim. Igualmente complicado será aprovar um plano de auxílio à economia, seja ele de que valor for, enquanto ambos os lados estiverem em guerra aberta na resolução das eleições, o que pode colocar em espera mais ventos de entusiasmo dos Touros.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 4 horas

Tal como referi ontem como provável ontem a linha superior do canal descendente serviu de tampão às subidas na sessão de quarta-feira.

Marco Silva

A informação fornecida não constitui pesquisa de investimento. O material não foi preparado de acordo com os requisitos legais destinados a promover a independência da pesquisa de investimento e, como tal, deve ser considerado uma comunicação de marketing.
Todas as informações foram preparadas pela ActivTrades (“AT”). As informações não contêm um registro dos preços da AT, nem uma oferta ou solicitação de uma transação em qualquer instrumento financeiro. Nenhuma representação ou garantia é dada quanto à exatidão ou integridade desta informação.
Qualquer material fornecido não tem em conta o objetivo de investimento específico e a situação financeira de qualquer pessoa que possa recebê-lo. O desempenho passado não é um indicador confiável de desempenho futuro. AT fornece um serviço somente de execução.
Consequentemente, qualquer pessoa que atue na informação fornecida o faz por sua conta e risco.